7 de fevereiro de 2010

Jorge Ben - África Brasil


Jorge Ben - África Brasil (1976)

Origem: Brasil
Produtor: Jorge Ben
Formação Principal no Disco: Jorge Ben - Djalma Correa - Wilson das Neves - Ze Roberto Bertrami - Zé Bigorna
Estilo: MPB
Relacionados: Wilson Simonal/Tim Maia/Gilberto Gil/Copa Cinco
Destaque: Meus Filhos, Meu Tesouro
Melhor Posição na Billboard:Não encontrado

Opinião do leitor:
Por incrível que possa pareçer, há quem se ressinta do Jorge Ben que deu adeus ao samba esquema novo de sua fase híbrido-bossa-novista, do começo dos anos 60, para entrar num universo de sincretismo musical sem precedentes, a partir dos anos 70. A questão é que o compositor de Fio Maravilha, assim como seu amigo Wilson Simonal, antes de ir parar no Beco das Garrafas para cantar baixinho como João Gilberto, era um sambista que, em razão daquele contexto musical, precisou domesticar a batida. Mas o seu atavismo etíope — do lado parental — e o seu éthos suburbano de jogo de bola em Madureira corria forte em seu sangue carioca. Par entrar na capela da Música Popular Brasileira dos anos 60, era mister que ele se enquadrasse no bom-tom que o cânone dos palcos e festivais exigiam. Pegar numa guitarra elétrica, então, seria assinar o seu degredo como intérprete. No fim, Ben acabou literalmente dançando conforme a música. Contudo, foi justamente num momento em que os espíritos conservadores do ambiente de festival arrefeceu, o rock entronizou a estética conceitual e o samba soul e o funk eclodiram, na década seguinte, que Jorge pôde, enfim, voar. Essa, com efeito, a sua fase mais criativa e autêntica, culminou numa série de discos que, embora não tenham vendido bem, compreenderiam a fase de ouro de sua careira: A Tábua de Esmeralda, de 1974, Solta o Pavão e a parceria com Gilberto Gil, em 1975 e, finalmente, aquele que é considerado a sua obra-prima, África Brasil. Clássico definitivo da música brasileira do século 20, África Brasil é um amálgama de soul, funk, samba, numa fase em que Ben troca o seu violão gauche pela guitarra, criando, em pouco mais de 40 minutos, um gênero musical particularíssimo. Alguns críticos observam que Africa Brasil é um painel onde aflora o lado cronista do compositor carioca. O disco enfeixa perfis distintos, que vão de Zico até Hermes Trismegisto, o imperador mongol Shah Jahan, a primeira-dama negra Xica da Silva e Zumbi. Chamar África Brasil de conceitual, de certa forma, seria cair no terreno da especulação — muito embora não se devesse subestimar alguém como Jorge Ben. Porém, como é notório em sua lírica, a comunicação fácil com o ouvinte e linguagem simples, positiva e despojada. Ou, como Ben diz em O Filósofo — de forma adoravelmente simplória, "mostrando como o belo pode ser simples e o simples pode ser belo". e, quando deveria ser sofisticado em matéria de harmonia, o lado atávico aflora em sua música: Jorge simpelsmente emoldurado por uma percussão de escol, apenas eletrifica o que ele sempre fez ao violão, ou seja, se basear numa célula rítmica, usando a guitarra como percussão, tocando o instrumento de uma forma pessoal e intransferível. Exemplos são Hermes Trismegisto Escreveu e Ponta de Lança Africano, onde a guitarra é puro ritmo. Porém, mas canções mais conhecidas de África Brasil são, sem dúvida, Xica da Silva, trilha do filme homônimo, de Cacá Diegues (de 1976) e Taj Mahal (que já havia sido lançada no disco com Gil, no ano anterior e em Ben, em 72). Número constante nas apresentações do compositor, desde então, ela chegou a ser descaradamente plagiada por Rod Stewart em Da Ya Think I´m Sexy?


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6 de fevereiro de 2010

Rush - 2112


Rush - 2112 (1976)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Rush and Terry Brown
Formação Principal no Disco: Geddy Lee - Alex Lifeson - Neil Peart - Hugh Syme
Estilo:Progressive Rock
Relacionados: King Crimson/Yes/Genesis/Jethro Tull
Destaque: 2112
Melhor Posição na Billboard:61o

Opinião do leitor:
Quando gravitava no mundo do mercado independente, o Rush era uma banda com uma linguagem mais próxima do hard rock do Led Zeppelin e do Cream. Ao se tornar proeminente no mundo da música, a ponto de chamar a atenção da Polygram, depois do lançamento do seu primeiro disco, em 1974, o ingresso num selo de visibilidade internacional coincidiu coma entrada de Neil Peart na banda. Com efeito, como é notório, nunca na história do rock, um baterista foi capaz de mudar a linguagem de um conjunto como ocorreu com este trio canadense, fundado em 1968. Além de exímio percussionista, senão o melhor empunhando um par de baquetas, seu diletantismo e interesse pela literatura hugoana da escritora russa naturalizada norte-americana, Alisa Rosenbaum, lhe investiu da qualidade e excelente e criativo letrista. Para quem acha que o baterista é o sujeito que anda sempre com os músicos, Neil se tornaria a fugura seminal na banda. Nesse momento histórico, quando o progressivo parecia estar andando em círculos, o Rush decidiu mergulhar fundo no cânone desse gênero. Dessa forma, vieram à lume os clássicos Fly By Night e Caress of Steel. Esse último, por sinal, se tornaria uma peça decisiva no futuro do trio canadense. Concebido como um disco conceitual, com faixas de dimensão épica, cotado para ser uninimidade de crítica e público, acabou soçobrando em matéria de vendas. Preocupada com o resultado do disco, os executivos da gravadora resolveram interferir na direção musical do próximo trabalho. Ou seja, em outras palavras,Geddy Alex e Neil teriam que elaborar algo mais comercial. Divididos entre alçar vôo ou ficarem engessados por um dilema puramente mercadológico, eles optaram por uma salomônica conclusão: dividiram o disco em duas partes; cada uma iria satisfazer a ambas as partes. Desta feita, 2112, de 76, a despeito do arroubo conceitual, o lado "progressivo" ficaria no lado A (isso no tempo do vinil), com a suíte — de extremo e exemplar virtuosismo — de mais de vinte minutos que dá nome ao disco — uma historia palavrosa e fantástica (e com direito à curiosa citação da Abertura 1812 de Tchaikovsky no começo), dividida em sete partes, sobre um herói trágico que busca redescobrir a mágica dos sons num sombrio tempo futuro, esta concebida por Peart. O lado B, por sua vez, mais imbricadas à pena de Alex e Geddy, são canções à parte do fulcro da primeira parte e, como queria a Anthem, mais "comerciais". entre elas, Tears, que conta com a participação de Hugh Syme nos teclados, e que seria colaborador do Rush a partir de então. A tarefa de gincana logrou êxito, e 2112 seria o primeiro disco de ouro do trio, que venceu a queda de braço com os produtores, ganhando assim copa franca par mandar dentro do estúdio dali para a frente.


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Kiss - Destroyer


Kiss - Destroyer(1976)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bob Ezrin
Formação Principal no Disco: Paul Stanley - Gene Simmons - Ace Frehley - Peter Criss
Estilo:Rock
Relacionados: The Who/Alice Cooper/New York Dolls
Destaque: Great Expectations
Melhor Posição na Billboard:11o

Opinião do leitor:
O Kiss já tinha três álbuns nas costas, dezenas de turnês e um bom contrato. O problema é que, mesmo assim, as vendas de discos não iam bem, e isso afetava o seu próprio selo, a Casablanca Records. A despeito de toda a inspiração e esforço, nada daquilo redundava num justo retorno financeiro para a banda e para os produtores. Para se ter uma idéia do dilema, Dressed to Kill, de 75, mesmo com Rock and Roll All Nite como carro-chefe, não desbancou. A coisa chegou num ponto em que eles precisavam emplacar um disco nas paradas a todo custo, por uma questão de sobrevivência, tanto do Kiss quanto da Casablanca. Porém, Gene Simmons & grande elenco tinham um trunfo na manga. Se os seus singularíssimos shows pirotécnicos, inspirados nos happenings do Alice Cooper, conseguiam meter público até dependurado no lustre a cada apresentação — provocando um amálgama de repulsa e empatia em todo mundo, por que não transpor o show para o formato LP? Foi quando eles conceberam o álbum Alive! Tiro e queda: o disco salvou a gravadora da bancarrota e deu uma extraordinária visibilidade à banda. Bola ao centro, agora era hora de começar a empilhar gols. O Kiss convidou Bob Ezrin para produzir o seu quarto trabalho de estúdio, Destroyer, que seria quase um segundo début, e dessa vez passando o som do Kiss a limpo, com o filtro do eclético Ezrin, que iria transformar Destroyer numa mega-produção, contando com orquestra, efeitos especiais, músicos de estúdio. A in tenção de Bob era, justamente, a de refinar o som do Kiss, nem que fosse preciso ensinar-lhes elementos de teoria musical. O disco foi do feijão-com-arroz típico da banda, como Shout It Out Loud até baladas sofisticadas, como a belíssima Beth, com um aranjo de cordas de fazer inveja a Mantovani. Sem falar de colagens sonoras, coral infantil e até a citação da sonata para piano No. 8 em Dó Menor, Op. 13, de Beethoven, em Great Expectations, que traduz o estilo que Ezrin, que já havia trabalhado com Alice Cooper, quis imprimir em Destroyer. No fim, o trabalhode produção é excelente, mas o álbum, ao contrário de Alive!, não vendeu conforme as grandes expectativas da Casablanca, até que os disc-jockeys, como sempre foi comum, resolveram transformar o lado B do single — no caso, Detroit Rock City — em lado A; não um rock, mas, justamente, Beth. A gravadora resolveu, então, inverter o compacto, o relançando como lado A. Desta forma, o Kiss chegava ao sétimo lugar na Billboard com uma balada.


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5 de fevereiro de 2010

Abba - Arrival


Abba - Arrival(1976)

Origem: Suécia
Produtor: Benny Andersson & Björn Ulvaeus
Formação Principal no Disco: Anni-Frid Lyngstad - Björn Ulvaeus - Benny Andersson - Agnetha Fältskog
Estilo:Pop
Relacionados: Bee Gees/KC And The Sunshine Band/Tavares
Destaque: Knowing Me, Knowing You
Melhor Posição na Billboard:20o

Opinião do leitor:
A Suécia é a terra natal de Alfred Nobel, de Ingmar Bergman, de Greta Garbo e também do Abba, o conjunto que, como se sabe, se tornaria figura proeminente na cena disco, que avassalaria as paradas de sucesso no final da década de 70. Quando o quarteto formado por Anni-Frid Lyngstad, Björn Ulvaeus, Benny Andersson e (a hoje princesa) Agnetha Fältskog lançou o seu álbum de maior sucesso, Arrival, em 1976, eles já contavam cinco anos de estrada. O problema consistia no fato de que eles conseguiam marcar posição em vários países da Europa continental, mas tinham relativa dificuldade em entrar no mercado fonográfico britânico e norte-americano, respectivamente. Ulvaeus e Benny, os mentores do grupo, tinham contudo a meta de superar esse bizantino dilema. O primeiro passo, naturalmente, foi abandonar a língua pátria em favor da universal língua de Sheakespeare. O segundo, adotar um visual excêntrico e futurista. O terceiro, encontrar um smash hit. Os dois primeiros renderam frutos como Ring Ring, um irresistível boogie chique do último, que fez sucesso na Europa e na África do Sul, mas não passou disso. Depois veio Waterloo, que seria defendida por eles no festival da canção Eurovision, em 1973. Aqui, o Abba já dava mostras do que seria o seu novo som — inspirado nas baladas estilo Phil Spector, que remetiam totalmente às Crystals, Darlene Love ou The Paris Sisters. Aliás, outra influência de Spector era a produção, que mimetizava a mesma técnica da Wall of Sound: rica em detalhes do ponto de vista instrumental, e com arranjos de extremo bom gosto. Contudo, as verdadeiras boas vindas do Aba se daria primeiro com Fernando, que finalmente chegaria ao primeiro lugar na Inglaterra, e depois com Money, Money, Money e Knowing Me, Knowing You, que puxariam o clássico Arrival. Mas a piece de resistance seria outra faixa do disco, Dancin' Queen, que dispensa qualquer comentário. Com ela, o Abba enfim atingiria o seu objetivo de conquistar a América — e conseqüentemente o resto do globo terrestre.


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4 de fevereiro de 2010

Eagles - Hotel California


Eagles - Hotel California(1976)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bill Szymczyk
Formação Principal no Disco: Don Felder - Glenn Frey – Don Henley – Randy Meisner – Joe Walsh
Estilo:Rock
Relacionados: America/Boston/Jackson Browne
Destaque: New Kid in Town
Melhor Posição na Billboard:1o

Opinião do leitor:
Imagine o soturno Der Zauberberg num recanto ensolarado como uma vivenda campestre no estio do sul da Califórnia. Isso é Hotel California, o quinto disco dos Eagles e seu trabalho de maior sucesso, permanecendo incríveis oito semanas em primeiro lugar nas paradas americanas. Hotel California também é o ápice criativo da dupla Glenn Frey e Don Henley que, partindo de arroubos autorais nas faixas de elepês como On the Border, cruzaram o Rubicão do country pop que os notabilizou rumo ao pop romântico (como em Wasted Time ou Pretty Maids All in a Row) possibilitando que o som da banda atingisse platéias maiores (e mais 'urbanas'). Hotel California também reporesentaria a maturidade do Eagles a despeito dos problemas do quinteto em administrar o crescente duelo de egos que dividiu Don e Gley de Bernie Leadon — que não tolerava nem a mudança musical do conjunto (ele sempre foi um adepto do country mais rústico, como o bluegrass). Hotel California também é o primeiro disco com a nova formação — com Don Felder ascendendo tanto como grande solista quando como compositor; é dele a melodia da canção que dá nome ao álbum, e havia mostrado o tema à Frey numa demo que ele havia gravado. Com Henley, eles criaram a poesia sobre uma espécie de motel (hotel de beira de estrada, para os yankees) mas cuja bucólica, caudalosa e metafórica letra, — como acontece com The Weight — permite várias interpretações. A mais aceitável é a de que ele se trata de um sanatório (You can check out any time you like/But you can never leave) que realmente existiu, naquele estado norte-americano. Contudo, há quem entenda como uma crítica à vida frívola e estóica típica do jet-set naqueles idos dos anos 70. Hotel Californa também acabou se tornando um problema para os Eagles, como um baobá gigantesco; depois de tantas mudanças até chegar ao topo, o que eles iriam fazer para superar algo como Hotel California?



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30 de janeiro de 2010

Boston - Boston


Boston - Boston(1976)

Origem: Estados Unidos
Produtor: John Boylan and Tom Scholz
Formação Principal no Disco: Tom Scholz - Brad Delp – Sib Hashian – Jim Masdea - Barry Goudreau - Fran Sheeha
Estilo: Classic Rock
Relacionados: BTO/Peter Frampton/Eagles
Destaque: More Than a Feeling
Melhor Posição na Billboard:1o

Opinião do leitor:
Tom Scholz fazia engenharia mecânica e Brad Delp trabalhava numa fábrica de cafeteiras elétricas; não tinham rigorosamente nada em comum, salvo o gosto por música. O que os uniu foi que Tom gastava o salário na Polaroid para montar um estúdio improvisado na garagem de sua casa, em Boston. Ali ele produzia e gravava tudo, menos voz e bateria, usando um metrônômo e uma voz-guia para montar as suas canções. Delp entrou na história porque Scholz naturalmente procurava um vocalista. Achou Brad, que tinha um alcance de voz incomparável. Da parceria, iria nascer um disco cuja montagem e gestação demorariam quase cinco anos. Com as demos concluídas, eles passaram a divulgar as músicas — que compreeendiam quase o tempo de um álbum. Nesse meio tempo, com Jim Masdea, eles fundaram o gênese do Boston, a Mother's Milk. O nome da banda, ainda inédita em disco, mudaria, contudo, no momento em que eles finalmente seriam contratados pela Epic (subsidiária da Columbia). Para o lançamento, os executivos sugeriram a substituição de Masdea, que acabou demitido. Como Scholz precisaria de mais um guitarrista (ele havia tocado todos os instrumentos nos masters), colocaram Fran Sheehan no baixo and e Sib Hashian nas baquetas. O nome da banda? O produtor, John Boylan, sugeriu Boston — e assim ficou. Porém, na largada, um problema (entre outros que o Boston se meteria com a Epic ao longo do tempo) com os executivos do selo aconteceu quando Tom quis usar os seus masters, enquanto a Epic queria que eles gravassem tudo de novo, nos estúdios da CBS, em Los Angeles. A solução salomônica foi remixar os masters e regravar os vocais com Delp, com a produção da Epic, que sabia que não estava pregando sem estopa. Tanto que o debut do Boston chegou fácil ao primeiro lugar, chegando ao primeiro milhão de cópias em apenas 3 meses, um fenômeno. Quem não conhece More Than a Feeling? O tal fenômeno era explicável: algém precisava acabar com a linguagem prolixa e rococó em que o progressivo (claro que vai aparecer alguém dizendo que Foreplay/Long Time é progressivo) se metera e voltar aos fundamentos do rock arroz-e-feijão — algo que o Boston fez com maestria, virtuosimo e muito estilo trazendo tudo de volta para casa.


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Joni Mitchell - Hejira


Joni Mitchell - Hejira(1976)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Joni Mitchell
Formação Principal no Disco: Joni Mitchell - Larry Carlton - Abe Most - Neil Young - Chuck Findley - Tom Scott: - Victor Feldman - Jaco Pastorius - Max Bennett - Chuck Domanico - John Guerin - Bobbye Hall
Estilo: Folk Jazz
Relacionados: Neil Young/Jaco Pastorius/The Band
Destaque: Furry Sings The Blues
Melhor Posição na Billboard:13o

Opinião do leitor:
Após o sucesso de Court And Spark, Joni Mitchell se desinteressou tanto pelo pop setecentista quanto da velha cena folk que lhe alçou ao estrelato, no fim dos anos 60. a partir dali, a compositora candense iria enfeixar uma série de álbuns direcionados à experimentações musicais, além da colaboração com músicos de jazz (principalmente o fusion), como Herbie Hancock. Não que isso descaracterizasse o estílo típico de Joni, mas a partir da então, ela iria lançar discos com uma linha anti-comercial (como acontecera com Tim Buckley). O elepê posterior, The Hissing of Summer Lawns, a despeito de ser ligeiramente experimental, chegou ao quarto lugar na Billboard, fato que fez com que Mitchell se sentisse livre para ir mais longe — o que seria o caso de Hejira. Segundo Joni, todas as canções foram compostas durante uma viagem de carro que ela empreendeu do extremo leste norte-americano até a Califórnia, em 1975. As letras colhem impressões e visões da estrada cujo título do disco é uma forma alegórica de sacralizar a viagem (Hejira é a viagem sagrada que Maomé realizou até Meca), como Refuge of the Roads, Furry Sings The Blues (destaque para a participação especial de Neil Young, que ela havia reencontrado no palco do The Last Waltz, a despedida da The Band) e Coyote. Na verdade, Hejira não é experimental ao ponto de soar hermético, mas tem um timbre bem mais sofisticado que a Joni dos tempos do Blue. Aliás, pelo ar pastoral que ela imprime às canções de Hejira, o disco lembra algo como o próprio Blue passado a limpo, emoldurado pelo contrabaixo de Jaco Pastorius, com efeito o ponto marcante do disco que, ao contrário de The Hissing of Summer Lawns, não se sairia bem nas paradas — embora ironicamente seja o trabalho mais inspirado, autoral e audacioso de Joni Mitchell.


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23 de janeiro de 2010

David Bowie - Station To Station


David Bowie - Station To Station(1976)

Origem: Inglaterra
Produtor: David Bowie, Harry Maslin
Formação Principal no Disco: David Bowie – Carlos Alomar – Roy Bittan – Dennis Davis – George Murray - Warren Peace – Earl Slick
Estilo: Blue-eyed Soul
Relacionados: Luther Vandross/Otis Redding/Nina Simone
Destaque: Golden Years
Melhor Posição na Billboard:1o

Opinião do leitor:
David Bowie era do tempo em que um rockstar podia ser rude, arrogante, pretensioso, espaçoso, frio e calculista sem ter que dar explicações a ninguém. Depois de trocar o glitter pelo soul e descobrir a América, resolveu criar outro personagem singularíssimo (e mais bisonho que Ziggy Stardust), o The Thin (de fato, ele estava diáfano feito um fiapo) White Duke, uma espécie de misto de Tintin, George Sand e um dançarino de flamenco que dardejava olhares polares e citava de Nitezsche ao Reader's Digest nas entrevistas coletivas. Porém, por trás da persona, havia um sujeito ligeiramewnte esgotado do jet-set da Costa Oeste norte-americana. Cheirando pó suficiente para balizar um campo de basebol, e metido numa dieta bizarra de sucrilhos de pimentão, Bowie estava num deplorável estado de delirium tremens, vendo cendelabros voadores, cadáveres escorrendo pelas paredes e pelo encanamento feito água e vampiras de esperma por todo lado, querendo roubar-lhe a virtude. Foi mais ou menos dentro desse quadro que o compositor britânico gravou aquele que é considerado um dos seus melhores trabalhos, Station To Station. Há alguma controvérsia a respeito da concepção exata do álbum — oumais precisamente dos intentos de Bowie ao entrar no estúdio de gravação. Há quem diga que ele queria montaria a trilha sonora do filme The Man Who Fell to Earth, de Nicolas Roeg, onde ele atuava; outros afirmam que David acabou desistindo de compor a música da película em favor de um disco solo. Bowie, por sua vez, não teria muito a dizer, já que ele sequer se lembra muito bem do projeto, dado o seu estado alterado pelo uso de cocaína (Eric Slick também pouco se lembra, Carlos Alomor revelou que Stay foi gravado no auge do efeito do alcalóide). Mantendo todavia a base de Young Americans, com Carlos Alomar na guitarra, Roy Bittan no piano, Dennis Davis nas baquetas, George Murray no baixo e Slick na guitarra-solo (e Harry Maslin na co-produção). Aliás, David credita boa parte da sonoridade experimental do disco o fato da pré-produção ter sido feita durante a própria realização do disco e o talento singular de Slick em criar um blend especial ao elepê. Um pouco distante do trabalho anterior, Bowie parte do soul para o disco e o funk (Golden Years, Stay), mas embora a música soasse escapista, as letras iam da religiosidade profunda (Word on a Wing, uma espécie de oração desesperada que o vazio existencial provocado pelas filmagens de The Man Who Fell to Earth lhe assomou) ao ocultismo (Station To Station). O experimentalismo sonoro é evidente em Station To Station, uma esfuziante rapsódia de dez minutos regida por David no começo lento — com ecos do krautrock que iria inundar as produções da false Bowie-Eno — e capitaneada pelo groove de guitarra de Eric ao final. Com Golden Years (oferecida para Elvis Presley, que não a quis gravar) e Stay, Station To Station foi o seu maior sucesso comercial nos Estados Unidos, onde o disco ficou 32 semanas no primeiro lugar. A despeito do frêmito, após a turnê de lançamento, um esgotado e puído Bowie resolveu rasgar a alegórica fantasia do duque e seu soul plastificado e partir para seu distante exílio na Alemanha Oriental para enfim dar tratos à sua verdadeira persona.


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22 de janeiro de 2010

The Modern Lovers - The Modern Lovers


The Modern Lovers - The Modern Lovers (1976)

Origem: Estados Unidos
Produtor: John Cale, Robert Appere, Alan Mason
Formação Principal no Disco: Jonathan Richman – Jerry Harrison – Ernie Brooks – David Robinson
Estilo: Alternative Rock
Relacionados: John Cale/Velvet Underground/The Cars
Destaque: Roadrunner
Melhor Posição na Billboard:55o

Opinião do leitor:
Era uma vez uma banda chamada Modern Lovers. O seu fundador, Jonathan Richman, era tão fanático pelo Velvet Underground que os seguia o tempo todo, em Nova Iorque. Em 71, eles se tornaram conhecidos na cena alternativa de Boston — cidade onde Richman formou o grupo, depois de uma viagem ao exterior. O rock simples e direto como o de bandas de garagem sessentistas como os Sonics atraiu a atenção da Warner, que os convidou para uma demo, produzida em parte por John Cale r Alan Mason. Contrato, produtor e careira encetados, e os Modern resolvem embarcar numa mini-turnê maluca às Bermudas, dois anos depois. De lá, aconteceu o inusitado detalhe que mudaria a trajetória deles: Jonathan gostou o suficiente da música nativa das ilhas britânicas a ponto de perder o interesse pelo som que eles faziam até aquele momento histórico. Resultado: eles brigaram entre si, a gravadora não topou a tal mudança e os descartou. E assim, terminava de maneira funesta a promissora carreira de mais uma banda de rock. três anos depois, quando trabalhava como solista, reencontrou um ex-produtor da Warner que se lembrava do trabalho dos Modern Lovers. do encontro, um certo King Kaufman, agora no selo alternativo Beserkley (onde Richman era artista contratado), propôs lançar uma compilação daquelas sessões de 73. Assim nasceu a insólita estréia póstuma Modern Lovers, uma ode ao modernismo e um hino ao rock inspirado naturalmente nos precursores do que, a despeito do delay de três anos, seria o cânone do punk, além de clássico e pretensiosamente rarefeita sonoridade do quarteto, Modern Lovers seria mais um elo perdido que montaria o quebra-cabeças que é a trajetória do punk, das suas origens, no fim dos anos 60, no movimento que iria eclodir a partir (coincidentemente?) daquele mesmo ano de 1976. A partir do sucesso estrondoso do disco, Jonathan Richman recriou uma nova versão de Modern Lovers, que chegou aos anos 80, quando a música deles estava em voga, muito embora a tocha tenha sido entregue a outra geração que não a de Richman, Jerry, Ernie e David — que seriam lembrados na versão que os Sex Pistols fizeram para Roadrunner. A despeito da importância da álbum para o rock em geral, a Warner no entanto insiste em não manter o trabalho em seu catálogo, mesmo em CD: a distribuidora de Modern Lovers em formato digital é sua subsidiária, a Rhino, especializada em classic rock fora de catálogo — o que explica o fato do disco estar fora de catálogo há quase sete anos.

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21 de janeiro de 2010

Tom Petty and the Heartbreakers - Tom Petty and the Heartbreakers


Tom Petty and the Heartbreakers - Tom Petty and the Heartbreakers (1976)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Denny Cordell
Formação Principal no Disco: Tom Petty - Mike Campbell - Benmont Tench - Stan Lynch - Ron Blair
Estilo: Rock
Relacionados: Bruce Springsteen/The Iron City Houserockers/Byrds
Destaque: Hometown Blues
Melhor Posição na Billboard:55o

Opinião do leitor:
Os Heartbreakers de Tom Petty são representantes de uma hibridização alternativa do rock que resolveu buscar suas raízes no good time music do tempo em que o gênero entronizado por Elvis Presley não havia chegado ao histrionismo glam ou o exuberante rococó do progressivo, com suas paráfrases sinfônicas e teclados à mão-cheia. Essa variante se chamaria heartland: nascida como um movimento esparso e alternativo, no fim da década de 70, ele chegaria ao apogeu só nos 'perdidos' anos 80. Para ser bem (meio) explicado, seria algo que, mal comparado ao estilo Americana com relação ao country das coletâneas calças Lee, o heartland típico ou ostensivamente kitsch é aquele do power rock das coletâneas Hollywood (quem é daquele tempo e curtia aqueles gulity pleasures sabe perfeitamente do que se trata). Sua concepção pode ser explicada no mote do próprio Petty que, a respeito do seu primeiro álbum (homônimo ao da banda), uma espécie de amálgama anômalo e anacrônico de Stones e Byrds. Alternativo porque o que seria a antítese do rock da primeira metade seria sintetizada pelo furacão do punk, o heartland sim seria capitaneado pelas vandagens estratosféricas do Bruce Springsteen (virando herói com pose de anti-herói) de Born In The USA e o John Cougar de American Fool — um rock revival do tempo em que não se utilizava o rótulo de reciclado para quem, como Petty em seu début, misturava o rockão levanta-estádio tipicamente stoniano em Strangered In The Night ou um quase-pastiche Roger McGinn circa 1967 em Rockin' Around. E, como ninguém (dizem) é profeta em sua terra, os Heartbreakers só foram fazer sucesso em seu primeiro disco do outro lado do Atlântico, na distante Inglaterra, um ano depois, durante uma turnê que acabou catalisando crítica e público ao trabalho do conjunto por causa de American Girl, lançada em compacto só quatro meses depois do elepê.

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20 de janeiro de 2010

Curtis Mayfield - There's No Place Like America Today


Curtis Mayfield - There's No Place Like America Today (1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Curtis Mayfield
Formação Principal no Disco: Curtis Mayfield
Estilo: Soul, Funk
Relacionados: Temptations/Marvin Gaye/Stevie Wonder
Destaque: So In Love
Melhor Posição na Billboard:1o

Opinião do leitor:
Multi-instrumentista e compositor singular, desde os últimos anos de sua colaboração com os Impressions foi gradativamente trocando sua veia pop por letras mais engajadas, e de temática de protesto numa época em que muitos artistas de sua linhagem tinham um certo medo de perder público com isso. No entanto, ao invés de se tornar um pregador no deserto, ele virou escola — influenciou de Marvin Gaye até Stevie Wonder e criou nada menos que a trilha de Superfly. Em 75, quando a black music parecia voltar aos tempos floridos do pop sessentista, Curtis lançou There's No Place Like America Today. O disco, temático, tem como ponto de partida a antológica foto da jornalista Margarete Bourke White quer correu mundo: em plena Grande Depressão, em 1937, uma fila de famélicos cobre um cartaz que exalta as vicissudes do Modo de Vida Americano. De um lado, o progresso e a antítise era a dura realidade dos guetos e das ruas, uma fila de desabrigados, na sua maioria negros, à espera de donativos. A mensagem de Mayfield, quase quarenta anos depois, é a de que pouco ou nada mudou naquela ótica ligeiramente irônica de Margeret, endossada pelos olhos de Curtis na América pós-crise do petróleo, pós-Watergate, pós-Vietnam, onde brancos e negros lutavam juntos no front para retornarem derotados e encararam novamente o racismo e a realidade do "american way". Mas canções como When Seasons Change, ao contrário do que possa parecer na fina ironia das lentes da foto, não é uma crítica cáustica — mas uma oração por um mundo melhor. Contudo, ao ctrário dos tempos de We're a Winner, o épico Mayfield de Superfly, dessa vez, nos Estados Unidos do alcalóide e do Disco, parecia finalmente posar como um pregador no deserto.

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14 de janeiro de 2010

Earth, Wind and Fire - That's the Way of the World


Earth, Wind and Fire - That's the Way of the World (1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Maurice White, Charles Stepney
Formação Principal no Disco: Verdine White - Fred White - Maurice White - Ralph Johnson - Andrew P. Woolfolk - Al McKay - Johnny Graham
Estilo: Soul, Funk
Relacionados: Temptations/Sly Stone/Four Tops/Eddie Kendricks
Destaque: Blue Eyes Crying in the Rain
Melhor Posição na Billboard:1o

Opinião do leitor:
That's the Way of the World é um filme de Sig Shore, o produtor de Superfly (dirigido por Gordon Parks Jr). A| película é, mal comparando, uma espécie de The Wonders - O Sonho Não Acabou versão blaxploitation. A história mostra os bastidores do mercado fonográfico num retrato sem retoques, contando com a participação do Earth, Wind and Fire interpretando naturalmente um conjunto de soul. O filme — produto típico de uma época e de um lugar, não fez sucesso como Superfly ou Shaft (inclusive teve uma péssima bilheteria); no entanto, assim como a trilha do filme de Parks Jr, a música de That's the Way of the World, por sua vez assinada pela banda de Maurice White, acabou marcando época. O single Shining Star, lançado em fevereiro de 75, além de chegar ao número 1 na Billboard iria orientar o modelo do que se chamaria de funk pop pelo resto dos anos 70. A qualidade da produção e a excelência de arranjos como o de That's the Way of the World e Happy Feelin' transformaram o sexto elepê do Earth, Wind and Fire no blockbuster que o filme não foi.

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13 de janeiro de 2010

Willie Nelson - Red Headed Stranger


Willie Nelson - Red Headed Stranger(1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Willie Nelson
Formação Principal no Disco: Willie Nelson – Paul English – Jody Payne – Bee Spears - Bobbie Nelson - Mickey Raphael - Bucky Meadows - Billy English
Estilo: Country
Relacionados: Waylon Jennings/Kris Kristofferson/Jessi Colter/Tompall Glaser
Destaque: Blue Eyes Crying in the Rain
Melhor Posição na Billboard:1o

Opinião do leitor:
Quem vê aquele sujeito de barbas brancas que parece um misto de patriarca bíblico e riponga com uma bandana com as cores da bandeira ianque e um violão rachado chamado Willie Nelson não imagina que, como nas Escrituras, assim como Moisés atravessou o Mar Vermelho, esse nativo de Abott, Texas, transpôs as duas gerações do country — da Velha Guarda de Hank Williams Sr. para os tempos modernos. O começo foi no fim dos anos 50, justamente na Terra Prometida do gênero, Nashville. Sem destino, Nelson começou como músico de estúdio, mas cedo se destacou como um compositor com faro de sucesso. Foi ele quem compôs Night Life, entronizada por Ray Price e criou o maior clássico de Patsy Cline, Crazy. Como acontecia com todos, ele precisou se moldar ao paradigma imutável do Nashville Sound, uma espécie de decálogo dos bons princípios do country da cidade, cujo tempo magno era o Grand Ole Opry, o programa de rádio que lançava e mitificava as estrelas do gênero, forjado pelas mãos de Chet Atkins e Owen Bradley. Em menos de uma década, eles criaram uma versão domesticada do hillybilly, menos caipira e com uma sofisticação rococó. Era o tempo dos cantores de voz de travesseiro, dos backings celestiais (como os Jordinaries, que tocariam com outro fiel seguidor da igreja, Elvis Presley)e de arranjos de corda de arfar decotes. Foi a era de ouro country: Faron Young, Jim Reeves, Patsy, Skeeter Davis, Don Gibson. Contudo, o extremo conservadorismo do Nashville Sound engessou qualquer possibilidade de mudança daquele modelo. Ao longo dos anos 60, com o advento do folk-rock (e do próprio rock)aquele paradigma, avesso a mudanças, se tornou datado e obsoleto. Uma nova geração que clamava por mudanças não encontrou eco em Nashville e logo partiu para a reação: primeiro foi o Bakersfield Sound, o country do Oeste, mais pop e extremamente kitsch (usava e abusava de steel guitar e de vestes rhinestone, como os Buckaroos). E, no começo dos anos 70, a maior ruptura com Nashville, o Outlaw Country. Como o nome dizia, era uma trupe de músicos jovens que dispensavam mega-produções, que faziam uso de uma postura análoga à dos hippies. Willie, por sua vez, por seu passado, se tornaria o mais polêmico representante do gênero: abandonou os boins modos do Opry, e decidiu ser um fora-da-lei em sua terra natal. Logo arregimentou adeptos — muitos também divididos entre a jovem e a velha guarda, como Waylon Jennings e Kris Kristofferson. O Outlaw se destacava por misturar passado e presente, desde os clássicos de Hank Williams e novos compositores, como Leon Russell, Fred Neil, além de gente fora do universo country, incluindo gêneros diversos, do jazz ao rock — de onde sairia o interesse de Nelson em elaborar álbuns conceituais — algo que não era novo no country, mas que não era concebido (basta lembra de Ballads Of The True West, de Johnny Cash, I Am a Lonesone Fugitive, de Merle Haggard e o próprio Night Life, de Ray Price) de maneira deliberada. Dessa vez, Willie queria ter controle total de suas produções e carta branca para fazer o que quisesse. De sua inspiração, nasceram Phases and Stages, o coletivo Wanted! The Outlaws e o maior de todos, Red Headed Stranger. Mesmo comprando briga com produtores e gravadora, ele fez uma espécie de In Wee Small Hours country. A tristeza perene nas faixas de Red Headed Stranger tinham tudo para naufragar nas paradas — mas sua versão para Blue Eyes Crying in the Rain se tornaria ummarco na história do gênero em todos os tempos, catapultando Nelson para o primeiro lugar na Billboard — atravessando a fronteira entre o country e o mainstream pop: algo que não acontecia (ainda nos tempos do draconiano Nashville Sound) desde que Skeeter Davis gravara End Of The World, em 1965. Além disso, Blue Eyes Crying in the Rain era o oposto que Nashville preconizaria, se tornando o momento em que o country, sem luxo & purpurina, entrou na sua Era Moderna.

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12 de janeiro de 2010

Queen - Night at the Opera


Queen - Night at the Opera(1975)

Origem: Inglaterra
Produtor: Roy Thomas Baker, Queen
Formação Principal no Disco: Brian May - Roger Taylor - Freddie Mercury - John Deacon
Estilo: Pop Rock
Relacionados: Smile/The Cross/Paul Rodgers
Destaque: The Prophet's Song
Melhor Posição na Billboard:4o

Opinião do leitor:
No começo (depois, seria tarde demais), a crítica não levava o Queen muito a sério: para eles, parecia uma banda que tentava igualar seu som ao que era produzida de similar na época, porém de uma forma mais sisuda. O máximo que o conjunto de Brian May podia ser, além de mais uma, algo como um pastiche. Para 'piorar' o estado das coisas, o Queen decidiu, a partir de Sheer Heart Attack, fazer um pop extremamente comercial, porém eclético e irresistivelmente consistente. Depois de colher os primeiros louros da vitória e de chegar oa topo das paradas, com seu terceiro disco, eles resolveram mostrar as orelhas de burro para os críticos: o resultado do contra-ataque foi nada mais, nada menos que Night at the Opera. Audacioso, perfeccionista ao extremo, pretencioso e mais delirantemente caro que uma mega-produção holywoodiana de Cecil B. de Mile, o disco mostrou ser mais inovador do que Sheer... Fazendo largo uso de técnicas de estúdio - e exploração de recursos de manipulação dos canais em estéreo, o Night incorpora vários gêneros musicais, de rock pesado, canto lírico, vaudeville, fox-trote, dixieland, clássico ocidental (a rapsódia é um gênero entronizado pela música clássica, como o ciclo de vinte peças composta por Ferenc Liszt no século XIX), etc. Falando em pretensão, Night at the Opera foi uma cartada decisiva para o Queen: o propósito de tamanha ousadia, além de desbancar todo o trabalho anterior, era colocar a própria imagem em xeque. May disse que a banda provavelmente iria sucumbir ante o fracasso do álbum — algo que não aconteceu, muito antes pelo contrário. Porém, a pretensão maior residia em fazer um elepê denso mas acessível, misturando o rock tradicional com arranjos que eram pura mímese de música de teatro de revista — o que explica o chiste do nome do disco, que não é nada mais do que uma ópera-rock sem uma linha temática definida e cujo ápice é, justamente Bohemian Rhapsody que, recriando a rapsódia clássica numa mini-suíte de seis minutos (lento-rápido), o queen criou uma genial e caudalosa síntese de sua música numa canção só. Destaques para a divertidíssima I'm In Love With My Car, composta pelo baterista Roger Taylor, a spacefolk 39', o excelente trabalho vocal The Prophet's Song e a clássica Love Of My Life — que faria sucesso (principalmente no Brasil) maior três anos depois, por conta da sua versão ao vivo no Live Killers, onde Mercury canta um tom abaixo — provavelmente para que a platéia o acompanhasse junto.


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10 de janeiro de 2010

Pink Floyd - Wish You Were Here


Pink Floyd - Wish You Were Here(1975)

Origem: Inglaterra
Produtor: Pink Floyd
Formação Principal no Disco: David Gilmour – Roger Waters – Nick Mason – Richard Wright
Estilo: Progressive Rock
Relacionados: King Crimson/Deep Purple/Emerson, Lake and Palmer
Destaque: Shine Your Crazy Diamond
Melhor Posição na Billboard:1o

Opinião do leitor:
No começo de 1975, o Pink Floyd entrou nos estúdios da EMI em Abbey Road, Londres, com a difícil e hercúlea tarefa de superar o seu álbum anterior, Dark Side Of The Moon. O começo foi difícil: Richard Wright e Waters não sabiam muito bem por onde começar; David preferia ensaiar o material que eles haviam desenvolvido durante a última turnê européia e Mason enfrentava alguns problemas conjugais, e isso o deixava um tanto apático durante as sessões. Quase um mês depois, Roger resolveu desmembrar uma suíte musical que ele havia desenvolvido sobre um improviso de Gilmour na guitarra: era uma espécie de motivo condutor — que lhe sugeria a vaga lembrança de Syd Barett — que lhe permitiu vislumbrar a suíte como algo substancialmente imbricado à memória do ex-membro da banda. Afastado do Pink Floyd desde 1968 e com uma carreira-solo ciclotímica, Barrett deixou a música em 72, devido à seqüelas mentais dado ao largo uso de drogas. Contudo, quis o destino que, ao mesmo tempo em que Waters escrevia uma canção sobre a ascensão e a queda de Barrett, o criador de See Emily Play apareceu de surpresa nos estúdios durante a gravação de Shine Your Crazy Diamond. O choque da banda em tentar reconhecê-lo acima do peso, de cabeça raspada e imberbe como um interno de um hospício chocou a todos. Ele ficava irriquieto o tempo todo. Ao ouvir a música, ele entrou na sessão e falou: "certo, em que parte eu gravo a guitarra, agora?". Perplexo, Wright apenas respondeu: "bem Syd, a parte da guitarra já está feita". Mais tarde, — de acordo com Mason, — Waters perguntou à Barrett o que ele achou do disco: "meio antiquado", respondeu. E foi embora. Foi a última vez em que todos se encontraram. Syd foi embora, mas seu espírito passou a assombrar as faixas do sétimo álbum do Pink Floyd, Wish You Were Here. Concebido como uma elegia sobre a loucura de Syd (já antecipada em Brain Damage) e uma meditação sobre o lado escuro do show bussiness (Have a Cigar). Com uma estruturação sinfônica, Shine On é uma visão trágica do herói que buscou saber todos os segredos e foi punido por isso, como um Prometeu do rock. welcome To Machine e Have a Cigar, em sequência, são como esquetes que voltam no tempo, e perpassam toda a formação do artista quando jovem em sua inocência, sendo seduzido por uma voz que, pela sua idealização de um futuro promissor, lhe convida a abandonar as coisas de criança e entrar no mundo da máquina, do estabilishment (e outros signos relativos ao "sistema", à modelos vigentes, um desabafo de Roger em sua experiência sensível e que seria tema recorrente nas letras de Waters). Have a Cigar vê a iniciação do futuro artista com cáustico cinismo, todos os clichês típicos do empresário que é o demônio a lhe tentar com um discurso envolvente e dissimulatório — esse é o cerne da crítica inclusa no álbum: a impostura em que situa a trajetória de um ídolo popular, da sua fabricação até seu aniquilamento pelas mesmas engrenagens da máquina que o forjara. Já Wish You Were Here é quase uma pequena missa fúnebre, que celebra a memória de Syd ausente, e do espírito do próprio Waters idealista que arde na mesma pira. Sobre as gravações, Gilmour disse que, de certa forma, todos viviam um momento pós-orgiástico causado pelo ápice de Dark Side onde tudo o que eles almejavam já havia se concretizado mas, e depois? "tudo para nós parecia ter se realizado, e foi uma época um tento confusa e vazia", revelou. Do caos que foram as sessões no começo, e do desmembramento da suíte de Roger, eles finalmente conseguiram material para que Shine servisse como moldura: a mesma peça, como um retorno dos motivos principais termina numa segunda parte — onde o eulírico dialoga com o espírito do "louco diamante" os imaginando, vivenciando um futuro sombrio e surrealista. embora soasse como um cântico sobre um mondo defunto e finito, Wish You Were Here acabou desempenhando muito bem o seu papel na máquina — chegou ao primeiro lugar na Billboard e, de quebra, se tornou mais um clássico do rock de todos os tempos.

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9 de janeiro de 2010

Patti Smith - Horses


Patti Smith - Horses(1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: John Cale
Formação Principal no Disco: Patti Smith –
Jay Dee Daugherty – Lenny Kaye – Ivan Kral – Richard Sohl
Estilo: Proto Punk
Relacionados: Tom Verlaine/John Cale/Ramones
Destaque: Elegie
Melhor Posição na Billboard: 47o

Opinião do leitor:
Se alguém perguntasse o que havia de novo naquele verão de 1975, a resposta poderia ser: Patti Smith. Até então, ela era uma guria prafrentex que havia morado em Paris, morava no Chelsea Hotel, transava poesia e literatura beat, havia lido todo o Ginsberg, estudava artes cênicas e e era artista de rua. No começo dos anos 70, ela trabalhou com o fotógrafo Robert Mapplethorpe até que misturou seus happenings de literatura e cinema com música quando conheceu o Blue Öyster Cult. No segundo disco da banda, Tyranny and Mutation, Smith colaborou com Baby Ice Dog e "Career of Evil, do Secret Treaties. A coisa ficou séria, a ponto de Patti, junto com Lanny Kaye, formar um quinteto do barulho, que fazia o circuito da boemia bem (mal) vestida do Village, junto com os Ramones e o Blondie. Contratados para a Arista e produzidos por John Cale, o elepê de estréia de Patti veio à lume em novembro de 75. Com sutil pretensão, Horses é o amálgama do espírito irriqueto (e um tanto experimentado, já que ela contava seus vinte e nove de estrada) de Patti, misturando poesia, iconoclastia, um rock ligeiramente ao rés-do-chão do que seria chamado de punk, onde sua voz suavemente debochada contrasta com o rock cru e castiço da banda, poesia sinbolista francesa e clássicos do R&B de Wilson Pickett a Van Morrison (a sua releitura de Gloria é simplesmente genial), (algo como)reggae (Redondo Beach) e uma parceria com Tom Verleine (do Televison), Break It Up. Gravado no Eletric Lady, em Nova Iorque, idealizado por Jimi Hendrix, Patti Simith dizia que, durante as sessões, ela sentia a presença do espírito do criador de The Wind Cries Mary nos estúdios. enfim, Horses pode não ser um arrasa-quarteirão como Easter, mas é 100%.

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7 de janeiro de 2010

Bob Dylan - Blood On The Tracks


Bob Dylan - Blood On The Tracks(1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bob Dylan
Formação Principal no Disco: Bob Dylan – Bill Peterson – Eric Weissberg – Tony Brown – Charles Brown, III – Bill Berg – Buddy Cage - Barry Kornfeld – Richard Crooks – Paul Griffin – Gregg Inhofer –
# Thomas McFaul – Chris Weber – Kevin Odegard
Estilo: Folk Rock
Relacionados: The Band/The Byrds/Jim Croce/Crosby, Stills, Nash
Destaque: Idiot Wind
Melhor Posição na Billboard: 25o

Opinião do leitor:
Depois de ensaiar uma linha evolutiva disco a disco, nos anos 60, Bob Dylan gravou uma série de discos irregulares, misturando desde o country quanto o pop e o Nashville Sound ou fazendo apenas gravando covers, como em Self Portrait ou no elepê homônimo, de 1973. A coisa iria mudar de certa forma quando ele voltou a gravar com a The Band. Depois do lançamento de Planet Waves, em 73, eles cairam juntos numa memorável turnê que viraria um vinil idem (o Before The Flood). Mas o trabalho que se tornaria sua grande obra-prima daquela década e talvez o maior de todos é Blood On The Tracks. Concebido num tom mais confessional e com letras afiadas como nos tempos do Blonde On Blonde — e com uma poesia muito mais estarecedoramente emocional e corrosiva do que nunca. Também, pudera: no meio da tuenê de 74, ele vivia o fim anunciado do seu relacionamento com Sara Lowndes e, mesmo que Dylan negue que a sua lírica não tivesse qualquer ligação com sua vida pessoal, muioto se especulou a respeito dos versos que sangram em cada faixa de Blood On The Tracks. Até mesmo porque ele sempre gozou de uma fama de bancar o sujeito durão, frio, praguejando sobre amantes mentirosas e viciadas em diamantes e anfetaminas mas, de repente, Dylan resolve oferecer a outra face e fazer crônicas sobre o fim de um relacionamento amoroso de forma france e aberta. sobre isso, seu filho Jakob disse que Blood In The Tracks parecia uma mímica absurda que lhe fazia recordar dos diálogos entre seus pais. Contudo, Dylan pai tenta se defender, usando dos pequenos contos de Anton Chekhov como o mote de algumas das canções do disco. Disso, é possível perceber muito da temática do absurdo do escritor russo em Tangled Up In Blue e principalmente em Lily, Rosemary and the Jack of Hearts que, embora pouco conhecida e muito subestimada, é uma de suas maiores criações. A gestação do álbum, contudo,foi difícil. Depois de gravar a pré-produção em Nova Iorque (quando os músicos achavam que estavam ensaiando, ele geralmente os dispensava, dizendo que estava tudo concluido), Dylan detestou o resultado. Com a ajuda de seu irmão, David, ele refez quase todo o disco com outros músicos em Minneapolis (a The Band estava fora do projeto), mudando afinações de violão e tonalidades de várias canções (algo comum sua biografia porém,no caso de Blood In The Tracks, críticos notaram que quase tudo estava monotonamente em tom de Mi Maior) além de deixar muita coisa boa de fora (idem), ele se deu por satisfeito. Claro que muita gente não gostou do resultado, como Mary Travers (do trio Peter, Paul And Mary). Em entrevista, ela perguntou se alguém poderia suportar aquele tipo de auto-flagelação a que ele se propôs. Exageros à parte, tirando o fato de que os arranjos não mudam de uma faixa para outra, o Dylan confessional (sempre lembrando que ele sempre detestou falar de sua vida pessoal e, quando falava, sempre inventava histórias estapafúrdia e engraçadamente coerentes) de Blood In The Tracks é algo peculiar — principalmente naquelas em que ele expõe tanto a raiva por perder alguém que se ama (Idiot Wind), registrar um momento fugidio de uma distante lembrança de uma separação numa narrativa impressionista (Simple Twist Of Fate) ou em momentos de súplica e prostração (You're Gonna Make Me Lonesome When You Go, If You See Her, Say Hello) ou quando ele mistura tudo ao mesmo tempo (You're a Big Girl Now, embora a interpretação da versão original, de Nova Iorque, muito melhor que a oficial, mostre um Dylan patético e que, infelizmente, só seria lançado na coletânea Biograph, dez anos depois). Dylan chora, elabora todas as perdas, se metamorfoseia num palhaço da commedia del arte, grita, pede perdão, metaforiza sua dor. No fim, de forma comovente, apenas diz: "Buckets of tears/Got all them buckets comin' out of my ears/Buckets of moonbeams in my hand/I got all the love, honey baby/You can stand (...)/I seen pretty people disappear like smoke/Friends will arrive, friends will disappear/If you want me, honey baby/I'll be here".

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5 de janeiro de 2010

Neil Young - Tonight Is The Night


Neil Young - Tonight Is The Night(1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: David Briggs, Tim Mulligan, Neil Young, Elliot Mazer
Formação Principal no Disco: Neil Young – Ben Keith – Nils Lofgren – Danny Whitten – Jack Nitzsche – Billy Talbot – Tim Drummond – Ralph Molina – Kenny Buttrey - George Whitsell
Estilo: Rock
Relacionados: Crazy Horse/Crosby, Stills, Nash/Bob Dylan/Buffalo Springfield
Destaque: Roll Another Number (For the Road)
Melhor Posição na Billboard: 25o

Opinião do leitor:
Tonight Is The Night é a peça que faltava no quebra-cabeça do que iria ser cognominado de Ditch Trilogy. em fins de 72, Neil Young lidava com dois fantasmas que não o deixavam em paz: um era a fama crescente, da qual ele tinha extrema dificuldade em lidar, e a outra, o hábito autodestrutivo de Denny Whitten, seu colega do Crazy Horse. O paroxismo dessa situação limite aconteceu quando seu guitarrista e Bruce Berry sucumbiram à heroína, e o compositor canadense entrou em depressão em ver o outro lado da fama, de como ele odiava ter perdido seus amigos daquela maneira, num tema que era recorrente desde o Harvest (The Needle and the Damage Done) e de como apresãodo jet set joga todos na mesma vala comum (ou "ditch", sarjeta, ou qualquer cognato que o valha). De repente, Young foi jogado no meio de uma turnê gigantesca tendo que, a um só tempo, lidar com público como feras num circo romano e elaborar a morte anunciada de Whitten. Young diz: "minhas canções me jogaram na estrada. A turnê logo se tornaria um pesadelo e eu fui parar na sarjeta. Foi uma viagem terrível, mas eu vi um monte de gente interessante lá". Tanto a experiência no topo do mundo quanto do outro lado daquele estado superior — a fragilidade de lidar com o sucesso ou toda a sorte de pressões extrenas e internas, medo da vida e da morte, tudo formularia o tom rude e sombrio de Tonight Is The Night . Cotadoi para ser a continuação natural do processo evolutivo de Harvest, seu oitavo álbm era uma nota triste. Neil exorcizava seus demônios com solos rascantes de guitarras e sua voz embargada de spleen e tequila (como em Mellow My Mind), abrindo seu peito para que as aves daninhas lhe bicassem o coração, como numa visão baudelariana em sua lírica de uma sinceridade promíscua. Neil Young talvez nunca tivesse soado tão autêntico antes. Contudo, os produtores da Reprise não se interessaram muito com os motivos & motivos do autor de Cinnamon Girl. Ouviram os masters, e não aprovaram o lançamento do disco. O resultado: o elep~e só veria a luz do dia dois anos depois de finalizado, ou seja, depois de On The Beach. A outra ponta da trilogia, Time Fades Away, se tornaria outro trabalho proscrito dessa fase de Young, e permaneceriam esgotados por décadas após seus respectivos lançamentos.


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4 de janeiro de 2010

R.D. Burman - Shalimar


R.D. Burman - Shalimar(1975)

Origem: Estados Unidos/Índia/Inglaterra
Produtor: R.D. Burman e Bappi Lahiri
Formação Principal no Disco: R.D. Burman
Estilo: Movie soundtrack
Relacionados: Hugo Montenegro/Henry Mancini/Miklos Rozsa/John Barry
Destaque: Mera Pyar Shalimar
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Então a estética de Hollywood pegou o caminho das Indias e, assim como a Itália criou a sua versão espaguete do circuito do cinema comercial norte-americano, na terra de Ghandi, Bombaim (hoje Mumbai) se tornou o centro da Sétima Arte a partir dos anos 30. O auge porém se deu somente após a independência da antiga colônia britânica (1947), nos anos 50. A segunda onda do que seria apelidado de cinema de Bollywood (Hollywood + Bombaim) se deu nos anos 70. A diferença é que, nessa nova fase, os cineastas dessa geração teve influência do Blaxploitation ianque — histórias de mocinhos e bandidos com temas recorrentes nesse contexto histórico-cultural, como miséria, violência, gângster, tudo misturado com histórias clichê como triângulos amorosos. Shalimar, de 1975, é um deles, e conta a história de dois homens que disputam o coração da mesma mulher. Dessa segunda onda do cinema indiano, quem se destacou como compositor foi R.D. Burman — ele é quem assina a cabulosa trilha sonora do filme. A música, por sinal, a despeito de sua raiz oriental, na verdade é uma excentricidade kitsch típica do que o liquidificador de acarajés da Indústria Cultural é capaz: Em Shalimar, Burman não escapa aos expedientes tão caros à música de cinema. As faixas, em geral, são uma ciranda de ritmos diversos que, sob o verniz "indiano", vão do chá-chá-chá à heróicas baladas em bocca chiusa e trompetes soturnos a la Morricone e Hugo Montenegro na veia, cançonetas napolitana, polcas alemãs e o samba. O tema principal, por sua vez, é John Barry/Monty Norman puro; a sutilmente jazzística e iresistível mini-suíte Countess' Carper caberia perfeitamente numa trilha de Mancini, cujo centro é uma polca, terminando numa cavalgada de fita de bangue-bangue; e a bem humorada One Two Cha Cha Cha tem uma citação hilária de That's The Way I Like It, do KC & The Sunshine Band, sucesso do ano anterior. No fim, fica aquela impressão de que o extrato cultural dos países de Terceiro Mundo acaba simplesmente recriando modelos colonizados de alguma arte que sequer original poderia ser chamada (Hollywood não deixa de ser a quintessência do kitsch) mas que, justamente pela sua capacidade de reelaboração e de colocar algo de autóctone e interessante em sua estética particular, pode ser considerado um trabalho digno de menção — assim como o subestimado estro (re)criador de Burman com sua batuta.

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3 de janeiro de 2010

Tom Waits - Nighthawks at the Diner


Tom Waits - Nighthawks at the Diner(1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bones Howe
Formação Principal no Disco: Pete Christlieb – Bill Goodwin – Jim Hughart – Mike Melvoin – Tom Waits
Estilo: Jazz Pop
Relacionados: Velvet Underground/White Noise/The Residents
Destaque: Warm Beer and Cold Women
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Quando ele surgiu, Tom Waits era tão sui generis que se notabilizou primeiro como compositor. Como cantor, ele era mais um performer influenciado pela canção americana dos anos 40 e 50 (Caramichel, Johnny Mercer, Armstrong, Sinatra) e com muito da poesia e do mise en scène típico dos beats, como Kerouac. Aliás, o autor de On The Road foi um dos divulgadores (involuntários) de discos de spoken word, onde se misturava música - em geral, Be Bop - e trechos de poemas em fluxo de consciência ou surrealismo puro em prosa. Pois foi misturando Kerouac, Sinatra e alguns anjos caídos da contracultura, como Dylan e Zappa, ele surgiu em nightclubs da Costa Oeste, até fazer números fixos no The Troubadour. Como músico contratado, pela revolucionária Asylum, no começo dos anos 70, Tom levou tempo até que produtores e artista chegassem a um consenso. Nos seus primeiros trabalhos, Waits consolidaria a imagem de crooner de boate — como em The Heart of Saturday Night. Porém, o álbum que o definiria e o delimitaria como o sujeito que transformou o disco num happening beatnik nada peculiar foi Nighthawks at the Diner. O disco mimetiza uma performance ao vivo onde ele mistura números musicais com trechos declamados, tendo como pano de fundo um combo de jazz. Sua voz roufenha, puída, embargada e embriagada se encaixa perfeitamente nas narrativas de si (Nobody) e de esquetes da vida vazia dos bares notívagos — cerveja quente, loiras geladas, morenas de seda, pianos bêbados, ruas fatigadas e desertas, gravatas sonolentas, e as solidões em um desjejum no fim da madrugada para tirar o gosto amargo de noite da garganta, o bar vai fechar, o maldito jukebox está apertado para ir ao mictório, a garçonete parece mais atraente depois de oitava dose de bourbon, o barndeter xarope passa um pano no balcão de dois em dois minutos, a copa já fechou, a stripper tem um marido taxista, os letreiros flanam no alto do prédio do Times, Lautrec rabisca num canto do snack bar, o melhor lugar para ouvir o contrabaixista é na mesa do lado do ventilador, o telefone quer mais um trago, mas quem está bêbado — em sua soturna nota triste — é o piano. Em suma, em Nighthawks at the Diner é o patético Sinatra de In Wee Small Hours depois de tomar a poção do Dr. Jekyll. Mas depois de tanta cerveja choca e de tanto uísque sem gelo na cachola, ele só consegue é ser um divertido arlequim de si mesmo.

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Gilberto Gil e Jorge Ben - Gil & Jorge: Ogum, Xangô


Gilberto Gil e Jorge Ben - Gil & Jorge (1975)

Origem: Brasil
Produtor: Gilberto Gil e Jorge Ben
Formação Principal no Disco: Gilberto Gil - Jorge Ben
Estilo: MPB
Relacionados: Luiz Gonzaga/João Gilberto/Caetano Veloso/Doces Bárbaros
Destaque: Taj Mahal
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Um é carioca, engatinhou no berço da Bossa Nova, no Beco das Garrafas, influenciado por João Gilberto, começou a desbravar o violão num estilo próprio que transcendia o genero; flertou com o samba tradicional, com a Jovem Guarda e com o Tropicalismo e acabou sendo quase impossível de ser rotulado. O outro é baiano, trocou o acordeão, instrumento de seu ídolo máximo, Luiz Gonzaga, pela guitara clássica também por causa da Bossa. Se lançou como compositor regional, emplacando alguns sucessos como Procissão e Louvação, mas contra a maré de protesto que asolava a MPB dos anos 60, se apaixonou pelo rock dos Mutantes e misturou baião com rock'n roll, levando o primeiro lugar no II Festival da Record, com Domingo no Parque. Pois oito anos depois do movimento tropicalista, quando a MPB havia se tornado quase algo amorfo, subterrâneo, controlado e policiado pelo excelso Governo Revolucionário, eles se reuniram nos estúdios da antiga Philips num encontro mais revolucionário ainda. Munidos de um violão na mão e muitas idéias na cabeça, Gil e Jorge Ben, numa época em que a guitara imperava, decidiram fazer tudo em casa, no improviso, movido apenas pela imaginação, muita jurubeba e muito bansa. O autor de Geléia Geral agora havia se transformado um cosmopolita que misturava Hendrix e a a Banda de Pífanos de Caruaru. Ben, com a sua A Tábua de Esmeralda, havia entrada na fase que ele apelidou de 'alquimia musical'. Muito dessas experiências estão mais do que presentes em Gil & Jorge, o corolário daquela jam session que mistura samba, jongo, afoxé, Fulcanelli, Gonzagão e João da Baiana. Ben dá a largada com a melodia e a música;, Gil o segue fazendo o contracanto e fazendo as demais vocalizações e floreia o ritmo de Jorge, numa sintonia e um entrosamento análogos à músicos de jazz — esse é o espírito da coisa, a mecânica celeste, o puro improviso, pura invenção, música total. As sessões da Philips também lançariam outro clássico — Taj Mahal, que logo ganharia o mundo (mais precisamente depois do lançamento do Africa Brasil, em 76) e que indicaria o caminho de Jorge Ben rumo ao mercado internacional e à uma linguagem mais pop. O mesmo ocorreria com Gil. Ou seja, Gil & Jorge: Ogum, Xangô é um testamento e uma experiência e um encontro histórico sem precedentes de dois músicos fantásticos, de uma forma que não se repetiria nunca mais.

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2 de janeiro de 2010

Joni Mitchell - The Hissing of Summer Lawns


Joni Mitchell - The Hissing of Summer Lawns (1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Joni Mitchell
Formação Principal no Disco: Joni Mitchell - Graham Nash - David Crosby - James Taylor - Robben Ford - Jeff Baxter - Larry Carlton - Victor Feldman - Joe Sample - John Guerin - Max Bennett - Wilton Felder - The Warrior Drums of Burundi
Estilo: Pop Jazz
Relacionados: James Taylor/Tim Buckley/CSN/Laura Nyro/L.A Express
Destaque: In France They Kiss on Main Street
Melhor Posição na Billboard: 4o

Opinião do leitor:
Joni Mitchell fundamentou a sua música, nos anos 60, através do folk e do country-rock do tempo em que ela se encvolveu com trabalhos paralelos do Crosby, Stills, Nash & Young. O ápice dessa estética bem particular sua está em Blue, que poderia ser considerado o melhor álbum da compositora canadense. Contudo, quando se imaginou que ela poderia se tornar refém desse tipo de música, contra todas as expectativas, Mitchell decidiu partir para muito além das praias do folk. Em três discos, Joni produziu um trabalho composicional numa linha evolutiva distante de qualquer expectativa. Em 1974, ela formou uma banda fornmada por músicos tão ecléticos quanto ela gostaria de ser, o L.A Express — mais experimentada com o jazz fusion. Os três álbuns que compreendem essa fase eclética de Mitchell são Court and Spark, Miles of Aisles e o mais expressivo de todos, The Hissing of Summer Lawns. Dessa vez, ela supera até mesmoos traços meramente pop de Court and Spark para fazer um trabalho suavemente inextrincável ao que concerne ao trabalho dos arranjos e às massas de instrumentos que perfazem canções de uma sensibilidade alvar, como em Shades Of Scarlett Conquering ou Shadows and Light, onde Joni faz todos os vocais. ecletismo à parte, Mitchell ainda investe em algo que futuramente poderia ser chamado de world music: The Jungle Line tem um combo de percussionistas africanos como baixo contínuo. Nem Paul Simon pensaria em algo parecido.

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1 de janeiro de 2010

Bruce Springsteen - Born to Run


Bruce Springsteen - Born to Run (1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bruce Springsteen, Mike Appel, Jon Landau
Formação Principal no Disco: Roy Bittan – Ernest "Boom" Carter – Clarence Clemons – Danny Federici - Suki Lahav – David Sancious – Bruce Springsteen – Garry W. Tallent - Steven Van Zandt - Max Weinberg
Estilo: Rock
Relacionados: E Street Band/Steel Mill/Miami Horns/Seeger Sessions Band
Destaque:
Melhor Posição na Billboard: 9o

Opinião do leitor:
Ele era um garoto do norte que tocava sozinho em pubs do Village, um dia foi descoberto por John Hammond e contratado pela Columbia. Não. Não é quem vocês estão pensando. O nome dele é Bruce Springsteen. Contudo, havia algo mais do que essa simples coincidências com Bob Dylan: muitos viam alguma inspiração entre ele e o bardo da contracultura dos anos 60 tranto na lírica quanto em suas letras expressivas e longas. Não levaria muito tempo para que Bruce conquistasse a América de assalto, e isso aconteceu com Born To Run. Exaustivamente pré-produzido e audacioso ao extremo, o terceiro álbum de Springsteen levou quase um ano para ser concluído e a canção que empresta nome ao disco foi trabalhada nas emissoras de rádio bem antes do elepê vir à lume. Muito do que está em Born é recorrente nos trabalhos anteriores de Bruce — o diema é que, a despeito do sucesso de crítica, os álbuns passaram batidos pela mídia e não venderam nada. De repente, no Verão de 75, foi como se todos os Estados Unidos tomassem conhecimento de Springsteen, cujo disco ficou uma semana no primeiro lugar da Billboard. Quem resume Born to Run é o próprio autor: "queria que ele soasse como Roy Orbinson cantando Bob Dylan com a produção de Phil Spector". Nesse sentido, Mike Appel de fato mimetizou tanto instrumentos liogeiramente minimalistas (como a celesta em Thunder Road) técnica da "Parede Sonora" de Spector, cujo resultado é sutil e épico em canções como Born To Run e She's The One, que combinam com o estilo declamativo de Brice, cantando como se quisesse ser ouvido por multidões. Thunder Road não foi utilizada como single, mas pelo seu caráter narrativo e bem elaborado, é a melhor do disco e uma das maiores criações de Springsteen.

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31 de dezembro de 2009

David Bowie - Young Americans


David Bowie - Young Americans (1975)

Origem: Inglaterra
Produtor: Tony Visconti, David Bowie e Harry Maslin
Formação Principal no Disco: David Bowie - Carlos Alomar – Mike Garson - David Sanborn – Willie Weeks – Andy Newmark – John Lennon
Estilo: Pop/Soul
Relacionados: Harry Nilsson/Luther Vandross/John Lennon/Rolling Stones
Destaque: Fame
Melhor Posição na Billboard: 9o

Opinião do leitor:
David Bowie enterrou de forma abrupta a sua aventura intergalática como Ziggy Stardust e, a partir de Diamond Dogs, ele começou a se interessar por soul, ou aquilo que ele mesmo chamava de uma visão particular do gênero, algo como soul "de plástico". A própria banda que ensaiou com ele o que viria a ser o disco seguinte, Young Americans, era diversa da que ele utilizava em trabalhos anteriores. A influência maior na mudança do glam para o R&B dessa vez era a colaboração com o produtor e compositor Luther Vandross, então no começo da carreira. Da parceria entre David e Luther, nasceu Fascination. A questão era que Bowie se sentia discriminado nos Estados Unidos: para ele, boa parte do público de lá não entendia e curtia glam rock como os ingleses, e ele sentia que tinha difiuculdade de obter qualquer tipo de visibilidade em tera ianque. A saída era fazer uma concessão à algo que os atraísse — algo como soul music, que os britânicos, desde o tempo dos mods de primeira dentição, importavam de lá. E outro colaborador de Bowie naquele momento seria John Lennon. em 1975, ele gozava os seus dezoito meses de férias que Yoko Ono lhe deu para que ele agisse como uma pessoal normal, fazendo festa com Elton John, Harry Nilsson. Nessa época, ele gravaria Whatever Gets You Thru The Night, seu único número 1 nos Estados Unidos. Com Bowie, Lennon chegaria ao topo com Fame. A música nasceu de um improviso entre o guitarrista Carlos Alomar enquanto John e David gravavam Across The Universe (numa versão meio Jackie Wilson), para o Young Americans, no Eletric Lady Studios. A dupla gostou tanto do riff que Alomar criou que resolveram transformá-la numa canção completa. Carlos acabria sendo elefivado na banda de Ziggy, que emprestaria outro riff para Golden Years, do Station to Station. Fame, que nasceu de uma brincadeira quase inconsequente, praticamente abriu as portas da América para David Bowie, que virou a voga do momento.

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Dion - Born to Be with You


Dion - Born to Be with You (1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Phil Spector
Formação Principal no Disco: Dion DiMucci - Jesse Ed Davis - Jim Calvert - Jim Keltner - Leon Russell
Estilo: Pop
Relacionados: The Belmonts/Del-Satins/Al Kooper
Destaque: He's Got the Whole World in His Hands
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Pioneiro do rock, Dion DiMucci marcou época num momento histórico em que o gênero que o franqueou ao Olimpo da fama estava em baixa na América. O curioso nisso tudo é que ele estava na malfadada Winter Dance Party, que culiminou no desaparecimento de Buddy Holly num acidente aéreo, em 1959, enterando três artistas promissores e toda uma época. O mórbido nisso tudo é que ele só não pegou o Beechcraft Bonanza naquela noite de fevereiro porque o dinheiro da passagem iria falta na hora de pagar o aluguel. DiMucci não morreu, mas ajudou a enterrar o rock junto com Paul Anka, Neil Sedaka e Frankie Avalon, no fim dos anos 50 e começo dos anos 60: naquele tempo, o mercado havia domesticado a música jovem de tal forma que o que fazia sucesso eram baladas açucaradas como Breakin Up Is Hard To Do, Venus, The Diary, Oh Carol. Enfim, a entressafra do rock fez bem à Dion, que emplacou sucessos com os Belmonts como Where Or When, A Teenager in Love, Lonely Teenager e, é claro, Runaround Sue. Contudo, com o ressurgimento do rock com a Invasão Britânica, a música de Dion saiu de moda. ele tentou se enveredar pelo blues elétrico, mas só obteve sucesso cantando gospel. Decidiu abandonar as narrativas sobre adolescentes apaixonados e namoradas infiéis e passou a trabalhar em canções próprias, com uma visão menos pueril da realidade. À duras penas conseguiu encetar algumas produções em disco. Eis que, em 1975, depois do revival inesperado dos defuntos anos 50 — com o filme Loucuras de Verão e o hit American Pie, de Don McLean, Dion apareceu no caminho de outro vegetativo do Ostracismo records, Phil Spector. O velho produtor, recém ressucitado de um acidente de carro que quase o matou, havia assinado contrato com a Warner no mesmo ano em que DiMucci estreava no selo. Por coincidência, o auge de Spector foi, justamente, na mesma época de Dion, quando ele lançava um compacto arrasa-quarteirão atrás do outro. Juntando fome e vontade de comer, ambos se reuniram num projeto que transubstanciaria no álbum Born to Be with You. Projeto inusitado, por sinal: a verdade é que eles tinham outra coisa em comum, aram artistas de single, não de álbuns. Phil Spector só trabalharia com bolachões a partir do fim dos anos 60, com alguns ex-integrantes dos Beatles. Mas o mais interessante em Born to Be with You é ver que ambos, Spector e Dion, eram artistas tentando retomar suas respectivas carreiras. Talvez por estarem ligeiramentre distantes do seu habitat natural, a despeito do trabalho muito bem acabado, DiMucci não iria jamais se livrar da imagem de teenager in love(um mal que afeta todo e qualquer cantor dos anos 50 é, com efeito, se livrar dos anos 50) e Spector não conseguia imprimir a mesma excelência do seu wall of sound depois do advento da mesa multi-canal. Além disso, O som etéreo, arastado e a profusão de corais celestes e orquestras de cordas de Spector faziam Dion se sentir tão à vontade quanto um peixinho dourado num tapete persa. Depois da mixagem final, o próprio cantor não gostou muito do resultado (embora, tempos depois, o álbum ganhasse críticas favoráveis) e não quis lançar Born to Be with You nos Estados Unidos — e o disco foi lançado apenas na Inglaterra. Trinta anos depois, a ACE Records (subsidiária da Warner, que o tirou do catálogo desde então) o colocou no mercado finalmente em formato digital.

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30 de dezembro de 2009

Emmylou Harris - Pieces Of The Sky


Emmylou Harris - Pieces Of The Sky (1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Brian Ahern
Formação Principal no Disco: Brian Ahern - Bruce Archer - Duke Bardwell - Byron Berline - James Burton - Mark Cuff - Rick Cunha - Nick DeCaro - Amos Garrett - Richard Greene - Tom Guidera - Glen D. Hardin - Emmylou Harris - Ben Keith - Bernie Leadon - Herb Pedersen - Danny Pendleton - Ray Pohlman - Linda Ronstadt - Ricky Skaggs - Fayssoux Starling - Ron Tutt
Estilo: Country/Americana
Relacionados: Gram Parsons/Linda Ronstadt/Flying Burrito Brothers/John Prine/James Burton/Rodney Crowell/Bob Dylan/Ricky Skaggs
Destaque: Bluebird Wine
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Emmylou Harris levou uns cinco anos para fazer sucesso da noite para o dia. Explica-se: compouco mais de vinte anos, ela já havia aprendido todas as canções de Pete Seeger e de Bob Dylan e era ardorosa fã de Joan Baez. Mudou-se para Nova Iorque e, enquanto levava a vida como garçonete, dava canjas nos pequenos clubes do circuito alternativo do Village. em 69 ela conheceu o compositor Tom Slocum. A parceria não durou muito — um casamento efêmero e um disco, Gilding Bird (que nunca saiu oficialmente em formato digital). O álbum passou batido, apesar de ser um trabalho interessante: a sua Waltz of the Magic Man, por exemplo, é excelente. Contudo, ela não fez sucesso e deixou a Big Apple para viver em Maryland, porém sempre se apresentando com um pequeno regional. Foi lá que o baixista Chris Hillman, ex-Byrds e, naquele momento histórico, membro dos Flying Burrito Brothers, 'descobriu' a moça. Pensou em colocá-la nolugar do demissionário Gram Parsons, mas preferiu indicá-la ao ex-parceiro,que estava à procura de uma voz feminina para os seus Fallen Angels e estava em vias de gravar seu primeiro LP solo, GP. A dupla se encaixou como a corda e a caçamba em shows memoráveis e no disco póstumo de Gram, Grevious Angel. Na verdade, o álbum seria um duo com ele e Harris (e é); porém, a viúva do compositor, num ataque de ciúmes, resolveu sacá-la dos créditos e de qualquer aparição na contracapa. Mais uma vez, a promissora arte de Emmylou passou desapercebido de cítica e público. Mas pior que isso foi perder Parsons, um parceiro musical de tamanho quilate que ela não encontraria jamais algo parecido. Ficou a lembrança da atitude de Gram coimo pesquisador do country e do seu trabalho no sentido de modernizar o gênero, não se prendendo a paradigmas imutáveis e caducos. De volta a estaca zero, Emmylou voltou para Washington D C e criou uma nova banda. Foi quando Linda Ronstadt sugeriu que ela deixasse a fria e sisuda capital ianque e voasse rumo ao ensolarado oeste, e tentasse algo em Los Angeles, que tinha uma cena musical promissora para uma artista idem. Através de Linda, em 1975, ela finalmente conseguiu um contrato com uma grande gravadora, a Warner. Naquele mesmo ano, Harris lançava o seu segundo debut, Pieces In The Sky. Acontece que,com o tempo, ela resolveu torar Gilding Bird do 'seu' catálogo, e Pieces... seria as suas definitivas boas vindas. Talvez sua atitude possa ser explicada pelo fato de que o primeiro elepê fosse apenas um disco de formação, um reflexo de uma cantora que já havia sido absorvida pela nova artista que ressurgiu de toda a musicalidade adquirida naqueles anos que separam a sua estréia até o capítulo 3 em sua carreira. E, com efeito, Pieces Of The Sky é mais transcendente do que um simples disco de uma cantora country: é um trabalho singular que exarceba toda a sensibilidade musical de alguém que vai além da simpesl interpretação. Fora isso, Emmylou esbanja versatilidade, indo do country convencional (mesclando compositores da antiga e da nova geração, como Bottle Let Me Down, de Merle Haggard, ou a chatíssima Coat Of Many Colours, de Dolly Parton e a adorável Bluebird Wine,do novato Rodney Crowel) para covers de artistas díspares ao universo do hillybily (ouça a tocante e langorosa versão dela para For No One, dos Beatles), além de canções próprias, como Boulder to Birmingham, uma emocionamnte homenagem à Gram Parsons, seu mecenas. O disco não vendeu horrores se comparado à sua mega-produção (a Hot Band era uma legião de músicos de vários naipes, escolhidos por ela e pelo produtor, Brian Ahern), mas o single If I Could Only Win Your Love (cover da conhecida canção dos Louvin Brothers) chegou ao quarto lugar na Billboard Country.

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29 de dezembro de 2009

Burning Spear - Marcus Garvey


Burning Spear - Marcus Garvey (1975)

Origem: Jamaica/Inglaterra
Produtor: Jack Ruby
Formação Principal no Disco: Burning Spear - Delroy Hines - Rupert Willington - Robert "Rabbi" Shakespeare - Aston "Family Man" Barrett - Earl "Chinna" Smith - Valentine "Tony" Chin – Leroy "Horsemouth" Wallace - Tyrone "Organ D" Downie - Bernard "Touter" Harvey - Vincent (Trommie) Gordon - Richard "Dirty Harry" Hall - Herman Marquis - Bobby Ellis - Carlton "Sam" Samuels
Estilo: Reggae
Relacionados: Bob Marley And The Waillers/The Upsetters/Duke Reid/Desmond Dekker/Sly and Robbie
Destaque: Marcus Garvey
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Marcus Garvey é um tributo musical ao jornalista, intelectual e ativista jamaicano que influenciou diretamente a concepção do pan-africanismo — que é um tema recorrente tanto na filosofia Rastafari quanto no reggae produzido a partir dos anos 60, fase em que as mensagens musicais eram essencialmente políticas, ao contrário da música escapista e irreverente do ska e do rocksteady, que fizeram a cabeça dos jovens jamaicanos no década anterior. Burning SApear, que é da mesma geração de Bob Marley — que foi quem o introduziu ao mundo da música, ao indicá-lo a Coxsone Dodd na mesma época em que os Waillers iniciavam a segunda fase da carreira, com Lee Perry como produtor. E assim como Bob, ele nasceu em St. Ann's Bay e tento a relação entre ele e Marley se fundiram quanto à devição às teses de Garvey. Partindo dos ideais do pensador jamaicano, sua tese er a ade que aúnica forma dos negros imporem a sua condição é através do retorno à África como forma suprema de redenção — sentimento que brotou num contexto histórico em que todo o continente fora colonizado pelas potências européias). Muito tempo antes do tema se tornar moeda corrente no reggae, com efeito um dos meios mais expressivos de difusão do Penafricanismo, Marcus já criava células do movimento em plena América, com a fundação do Universal Negro Improvement Association (UNIA),que pregava, entre vários ítens, a "promoção da consciência e unidade na raça negra, da dignidade e do amor" e "o desenvolvimento da África, livrando-a do domínio colonial e transformando-a numa potência". Pois três décadas depois, quem iria carregar a chama do garveyismo o fariam através da música. Burning Spear, que recém havia criado um conjunto, em 1970, obeteve um sucesso inesperado, a canção Marcus Garvey. Feita originalmente para tocar no carro de som (ou os sound systems, um expediente muito comum na Jamaica desde os tempos do mento) de Jack Ruby (Lawrence Lindo) em Otcho Rios, perto de St. Ann's Bay. Lançado em single, o tema catapultou o desconhecido Winston Rodney num artista de grandeza da altura de Phyllis Dillon. O seu conjunto, The Black Disciples, seria a cozinha de Marcus Garvey, seu terceiro disco. Gravado em Kingston, o sucesso do elepê chamou a atenção de Chris Blackwell (da Island), que já lançava o trabalho de Marley em escala fordista para todo o globo terestre. Chris pediu os masters e remixou o álbum, para um lançamento mundial. Rodney, no entanto, não gostou do tratamento dado a Marcus Garvey, e a partir de então, resolveu fundar seu próprio selo, a fimde ter autonomia total do seu trabalho a partir de então (embora ele dependesse da Island para lançamentos fora da Jamaica, pelo menos até o fim do contrato, em 1980).

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28 de dezembro de 2009

Aerosmith - Toys in the Attic


Aerosmith - Toys in the Attic (1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Jack Douglas
Formação Principal no Disco: Steven Tyler - Joe Perry - Brad Whitford - Tom Hamilton - Joey Kramer
Estilo: Hard Rock
Relacionados: The Joe Perry Project/Whitford/St. Holmes/The Strangeurs/Chain Reaction
Destaque: Sweet Emotion
Melhor Posição na Billboard: 11o

Opinião do leitor:
Os detratores da banda norte-americana Aerosmith sempre dizem que Steven Tyler e companhia gozam da enorme visibilidade que possuem hoje graças à MTV e à Aicia Silverstone. A despeito do chste gratuito, a verdade é que, depois do mega-sucesso que eles conseguiram no fim dos anos 70, os bad boys de Massachussets quase acabaram — princopalmente com a saída de Joe Perry e Brad Whitford, em 1980. Tyler também passou por uma maré baixa tendo surtos durante as apresentações e depois do quase fracasso de Rock In a Hard Place, só faltava que eles pedissem concordata. Porém, Joe e Brad retomaram seus postos e depois que o Run-D.M.C. recriou Walk This Way, eles voltaram ao picadeiro com sucessos como Jane's Got a Gun, Crazy, Cryin', What It Takes e o resto da história todo mundo — incluindo seus detratores — sabe. O que muita gente não conhece é a primeira fase mainstream do Aerosmith, uma banda que soube se vender no momento certo (pagou para aparecer numa apresentação caça-talentos onde estava Clive Davis, da CBS). A deslavada estratégia deu certo, e eles assinaram contrato com a gravadora. A fórmula do sucesso era garantida, um misto de blues rock e hard rock, mas com uma linguagem simplificada e pop, soando pesada sem ser ostensivamente agressiva ou plena de aranjos complexos e letras místico-holísticas-nefilibatas tal qual rezava o decálogo do progressivo de então. Oprimeiro disco vendeu bem e delimitou de forma irretocável a imagem do Aerosmith (que, a rigor, não mudou muito desde então). O que faltava era um disco que empurrasse a banda para o alto e avante e esse disco foi Toys in the Attic. Sem muita pretensão, dentro do modelo utilizado nos dois primeiros elepês, o álbum é uma bpa amostra do Aerosmith do começo da carreira - nada de original ou de discrepante com o Aerosmith de hoje; porém, desde o começo, uma banda enxuta, criativa, versátil e eficiente, com Perry e Whitford duelando guitaras sem dever nada à concorrência. Com Walk This Way (que chegou ao décimo lugar nas paradas ianques) e Sweet Emotion, Toys in the Attic vendeu mais de oito milhões de cópias, franqueou o sucesso internacional que o conjunto buscava. Ao mesmo tempo, chamaria a atenção de todo o material lançado anteriormente — Dream On, por exemplo, chegaria à sexta posição na Billboard, a melhor do Aerosmith até então.


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27 de dezembro de 2009

Keith Jarett - The Köln Concert


Keith Jarett - The Köln Concert (1975)

Origem: Alemanha
Produtor: Manfred Eicher
Formação Principal no Disco: Keith Jarett
Estilo: Classic
Relacionados: Chick Corea/Miles Davis/Art Blakey
Destaque: Part II b
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Pianista de formação clássica tradicional, Keith Jarett, que é da escola ecumênica de Bela Bartók, cedo resolveu conciliar seus estudos de música erudita com o jazz. Nos anos 60, teve o seu batismo de fogo no Charles Lloyd Quartet sob oss auspícios de Art Blakey. Depois de gravar o consagrado Forest Flower, em 66, Keith resolveu investir na carreira de band leader, arregimentando um trio, com Charlie Haden e Paul Motian. O conúbio rendeu três discos que, na verdade, pouco ou nada tinham aver om o jazz tradicional — isso levando em conta que o próprio jazz tradicional estava sendo posto em xeque depois de Ornette Coleman, John Coltrane e Miles Davis, que seria o personagem a parte 2 da carreira de Jarrett. Com a saída de Chick Corea do conjunto do criador do Cool, ele assumiu o piano elétrico, mesmo que, particularmente, Keith detestasse qualquer instrumento de teclados que fosse plugado na tomada. Com Miles, ele gravou três discos oficiais, ao mesmo tempo em que seguia investindo em seu combod e jazz, agora com Dewey Redman, Guilherme Franco ou Airto Moreira a dividir o palco com ele. O grupo lançou álbuns por vários selos, entre eles o Edition of Contemporary Music, do músico alemão Manfred Eicher. Fundada em 1969 e sediada em Berlim, a ECM era uma gravadora essencialmente de modern jazz, e Manfred cedo se interessou pelo trabalho de Jarett. Foi ali que Keith iria se destacar pelo seu trabalho solo que, diferente do combo, era puro improviso e tinha muito mais influência do erudito. Seus concertos logo passaram a chamr a atenção de um público considerável — principalmente o europeu. Eicher teve a idéia de gravar algumas das incursões do pianista norte-americano na Alemanha: ao contrário dos discos de jazz por excelência, os concertos de Jarett em disco lograriam um êxito muito maior. O mais notório desses álbuns é The Köln Concert. Gravado ao vivo na Opera House de Colonia, em janeiro de 1975, o concerto é um improviso dos bastidores até a coda. Keith chegou atrasado e morto de fome, o piano estava em péssimo estado e totalmente desafinado e levou quase cinco horas para ficar em condições. Keith geralemnte, como se refere aos seus melhores momentod ao vivo, não tinha quase nenhuma idéia (às vezes, ele escolhia o tom por sugestão de um gaiato na platéia)do que fosse tocar e a peça é uma mímese de uma sonata em Dó Sustenido Menor cuja molduração jazzística consiste num exercício de ostinato entre dois acordes, variando apenas o ritmo, num estudo livre de pura intuição. Ou seja, esse é o caráter de jazz do concerto. De longe, soa como uma peça clássica — e o improviso é um gênero prá lá de secular na música erudita (como o op. 51 de Frederic Chopin). O sucesso tanto do concerto quando do disco, que vendeu mais de 3 milhões de cópias na época, algo considerável para um selo tão liliputiano, como a ECM, fez com que Keith Jarett atingisse um outro status em sua carreira. Muitos queriam publicar seus concertos. Mesmo relutante, acreditando que, como no jazz, o improviso fica intransferivelmente a cargo do solista e a publicação seria apenas uma forma escamoteada de engessar algo que nasceu livre, acabou topando. O The Köln Concert ganhou partitura e a última seção da "sonata" ganhou um título à parte — Memories of Tomorrow.

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26 de dezembro de 2009

Led Zeppelin - Physical Graffiti


Led Zeppelin - Physical Graffiti (1975)

Origem: Inglaterra
Produtor: Jimmy Page
Formação Principal no Disco: Jimmy Page – Robert Plant – John Paul Jones – John Bonham – Ian Stewart
Estilo: Rock
Relacionados: Deep Purple/Rolling Stones/Bad Company
Destaque: Kashmir
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Em fins de 73, o Led Zeppelin se reuniu em Headley Grange, East Hampshire, especialmente para a pré-produção de algumas faixas que iriam entrar no próximo disco do quarteto britânico. As sessões começaram em janeiro do ano seguinte; no entanto, John Paul Jones, alegando estafa e desejando dar um tempo para a banda, que deixou pelo menos oito músicas prontas. Peter Grant entendeu o recado do baixista e concedeu-lhes um intervalo de algumas semanas a fim de recomporem-se da rotina incessante de turnês e ensaios. As sessões foram retomadas e, em março de 74, eles tinham todo o material pronto. Contudo, o tempo que comprendia as oito canções extrapolava a média de 40 minutos do tempo em um elepê comum. A solução foi transformar o novo disco num álbum duplo. Assim nasceu aquele que é considerado o melhor disco do Led Zeppelin, Physical Graffiti. Buscando nos arquivos, eles decidiram completar o trabalho acrescentando sobras de LPs anteriores, entre as gravações do acústico III e o antrior, Houses Of The Holy. O resultado de tudo poderia soar como um disco que, ao invés de uma evolução natural da banda, simplesmente um passo para parte alguma. No entanto, ao amalgamar várias fases de forma tão díspar acabou transformando Physical Graffiti num inefável mosaico que passa a limpo quase cinco anos de trabalho do Led Zeppelin, flanando por todos os estilos e matizes possíveis que Plant & companhia singraram por todos aqueles dionisíacos anos de indústria vital. Muito mais do que uma mera colcha de retalhos sonora, Physical Graffiti foi investido de uma sólida diversidade sonora que é, com efeito, o vade mecum da arte superior do Led Zeppelin. O espectro musical do disco se expande como um pálio aberto de tendências, que ia do bom e honesto rock'n roll (Houses Of Holy), reelaboração do velho e secular blues, algo corrente na sonoridade da banda (In My Time Of Dyin'), Robert Johnson com funk (Trampled Under Foot), experimentações de estúdio (In The Light, uma das preferidas de Plant, mas que nunca pôde tocada ao vivo), folk instrumental (Bron-Yr-Aur, sobra do III, de 70), Down by the Seaside, uma das músicas mais legais e (quase) subestimadas do Led, que ficou de fora do IV; Ten Years Gone, letra sobre instrumental de Page, numa espécie de singelo acerto de contas de Plant copm uma antiga namorada que o obrigou a escolher entre ele e a música; Night Flight, outra sobra do IV; Boogie with Stu (gravada em 71) é puro R&B (destaque para a citação de Oh, My Head, de Ritchie Valens) segundo LZ, e com a participação especial do vulgo sexto Stone, Ian Stewart; John Paul Jones toca o mandolim em Black Country Woman, um quasi bluegrass que vira um boogie irresistível; Sick Again esboça um olhar impressionista sobre a relação de Plant com bobbysockers ("Oh, do you know my name? Do I look the same/You know I'm the one you want/I must be the one you need"). Lançado em fevereiro de 1975, Physical Graffiti chegou facilmente ao primeiro lugar nas paradas. Era o topo do mundo.


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25 de dezembro de 2009

Neu! - Neu! '75


Neu! - Neu! '75 (1975)

Origem: Alemanha
Produtor: Conny Plank, Neu
Formação Principal no Disco: Ross Konrad "Conny" Plank – Michael Rother – Klaus Dinger - Thomas Dinger – Hans Lampe
Estilo: German Rock
Relacionados: Faust/Kraftwerk/Can
Destaque: Leb' Wohl
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Quando John Peel começou a divulgar o novo som que vinha dos porões e dos estúdios de gravação da Alemanha Ocidental, nos fins dos anos 60, alguém logo se apressou em rotular aquele misto de rock de compasso quadrado e frenético, e com largo uso de phasing na percussão e instrumentos eletrônicos viajandões de baixo contínuo de Krautrock. Muitos músicos ficaram magoadíssimos — achavam que fosse algo depreciativo. Afinal, "kraut" era a forma "degenerativa" com que os britânicos se referiam aos soldados da Alemanha do III Reich. Mais ou menos como os nossos pracinhas da FEB os apelidavam, também de maneira jocosa, de "tedescos". Enfim, seria algo como "Rock Tedesco". Porém, antes que pudessem se dar conta que era apenas um rótulo simpático, a música deles já estava fazendo a cabeça de um monte de gente — isso numa época em que o rock queria atingir um ideal sinfônico, com as megra-produções de gente como Emerson, Lake And Palmer, King Crimson, Jethro Tull, Pink Floyd. Enquanto o progressivo emergente rejeitava o sonho da psicodelia, o Krautrock queria diluir esse estilo dentro da estética do free jazz, porém mantendo a base do 4/4 do rock. A trajetória do Neu veio do começo do Kraftwerk do tempo em que surgiramos primeiros festivais de "rock tedesco", em Essen, em 68, quando eles se chamavam Organisation. Nesse período, o Kfraftwerk era basicamente Florian Schneider e Ralf Hütter com outros músicos aleatoriamente destacados para suas produções. Dois deles, o guitarista Michael Rother e o baterista Klaus Dinger, iriam deixar a banda para formar o Neu, em 1971. O primeiro disco, lançado no mesmo ano, vendeu mais ou menos dentro da expectativa de um grupo que transava com um tipo de música essencialmente alternativo, mas a boa aceitação de público fez com que eles se sentissem estimulados a lançar uma seqüência. O problema foi de dinheiro: como o primeiro elepê não vendeu, a gravadora não quis liberar o porquinho para outra viagem. Com o orçamento pela metade, conseguiram gravar material só para um lado do disco; o outro virou uma espécie de variação sobre o mesmo tema: eles pagaram uma canção obscura, lançada originalmente em single, e fizeram diversas faixas como remixes, mudando a rotação dos tapes e acrescentando instrumentação através de overdubs. Poderia ser considerado uma grande besteira, se não se tornasse procursor de algo que, décadas depois, virasse algo comum — o remix. O terceiro disco, Neu! '75, porém, só viria à lume três anos depois e era fruto da intransponível discórdia entre Michael e Klaus: o primeiro queria investir numa sonoridade Motorik, uma viagem melódica mas com a base no bate-estaca "analógico" 4/4, com uma atitude mais rock; Dinger estava mais a fimde fazer algo mais próximo da música ambiente — aquilo que Brian Eno, que inicialmente também foi um dos que bebeu na fonte do krautrock do Neu!, estava começando a desenvolver na sua carreira-solo. O resultado dessa disensão bizantina é o Neu!'75. O lado A, mais agressivo, para agradar a Rother e o B, mais onírico, para Dinger. A primeira parte passa a limpo a música dos dois primeiros trabalhos da banda e pode ser entendido como o movimento rápido da suíte; o segundo, evocativo, amalgamando música concreta e improvisações nos teclados e nos vocais, é um belo contraponto ao Lado A. A singularidade do álbum, com efeito, se faz pela compeltitude das duas partes que, á sua maneira, iriam influenciar boa parte do que foi feito dentro desse paradigma musical, ou seja, é um disco mais cultuado por músicos do que por ouvintes em geral. Depois de mudar o som de Brian Eno, ele iria fazer o mesmo com gente como Bowie, John Lydon, PiL, Joy Division (nem seria preciso citá-los) e toda aquela onda techno que surgiria nos estertores dos anos 80. Coincidentemente ou não, logo após o lançamento do elepê, o Neu! encerraria as suas atividades, ensaiando um retorno, cerca de uma década depois.

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24 de dezembro de 2009

The Dictators - Go Girl Crazy!


The Dictators - Go Girl Crazy! (1975)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Murray Krugman, Sandy Pearlman
Formação Principal no Disco: Ross "The Boss" Funicello – Scott Kempner – Stu Boy King – Dick Manitoba – Andy Shernoff
Estilo: Rock
Relacionados: The Stooges/The Sonics/New York Dolls
Destaque: Weekend
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
O Protopunk foi mais um movimento apocalítico do que integrado: não se poderia dizer que havia em comum em bandas de características aparentemente díspares como os Stooges, New York Dolls ou gente como Richard Hell ou Patti Smith Band. Na verdade, o protopunk se trata de uma visão anacrônica a respeito de um fenômeno que surgiu a partir do rock de garagem dos anos 60 e passou por exmeriências isoladas ao longo da primeira parte dos anos 70. O rótulo, aliás, foi criado por um repórter da Rolling Stone para definir o som garageiro do Question Mark & the Mysterians. Dentro desse pseudo-movimento, portanto, tudo que parecia um ensaio para o que seria o movimento punk no fim da década (o primeiro disco dos Ramones viria em abril de 1976) e, dentro dessa visão em retrospectiva, a despeito de toda as disparidades, boa parte do material lançado anteriormente passou a se designar como tal. Ao mesmo tempo, grupos que originalmente foram rechaçados ou totalmente subestimadospor crítica e público logo se tornaram pioneiros do punk 'da noite para o dia'. Pois uma dessas bandas "avant la lettre" que surgiram no cenário musical do rock são os nova-iorquinos The Dictators. Fundados por Andy Shernoff e The Boss Friedman, em meados de 1973, junto com Scott Kempner, Stu Boy King e Dick Manitoba chegaram, dois anos depois, a um estúdio para gravar o seu primeiro disco, Go Girl Crazy!. O disco, como não poderia escapar ao elemento intrínseco à turma do chamado protopunk, passou desapercebido, e o The Dictators resolveu se separar logo depois. Talvez para sorte do quinteto, a glória viria à cavalo pouco tempo depois, quando o punk eclodiu em Nova Iorque, Londres e Los Angeles numaprogresão fulminante. Junto com Mark "The Animal" Mendoza, a banda resolveu retomar as atividades com Andy Shernoff — demissionário de primeira ordem, foi convidado a retornar, porém nos teclados. Se de qualquer maneira, Go Girl Crazy! pode ser considerado um disco precursor do movimento, ele estava um pouco longe do que viria a ser o espírito do Do It Yourself: não era iconoclasta de todo, não era compulsoriamente tosco (arranjos de músicas como The Next Big Thing ainda têm alguma relação com a sonoridade do rock mainstream que os punks repudiavam. Mas pela crueza e pela característica de canções curtas, vocais ligeiramente viscerais (temas hard pop a la The Who que, de forma inexplicável, tinham cara de hit, como Weekend, além da divertidíssima paródia dos Beach Boys (I Live for) Cars and Girls) e covers tão inusitados quanto divertidamente avacalhados (I Got You Babe e California Sun, dos Rivieras, bem como os Ramones iriam fazer com Let's Dance, um ano depois, e que os próprios Ramones também regravariam, no Leave Home), os intrépidos precursores Dictators, embora subestimados à princípio, já davam mostras do que estava por vir.

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23 de dezembro de 2009

Brian Eno - Another Green World


Brian Eno - Another Green World (1975)

Origem: Inglaterra
Produtor: Brian Eno, Rhett Davies
Formação Principal no Disco:
Robert Ash – Guy Bidmead – Barry Sage - Robert Fripp - Phil Collins - John Cale
Estilo: Ambient Music
Relacionados: King Crimson/Roxy Music/Tangerine Dream/Kraftwerk/John Cale
Destaque: Sky Saw
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Robert Fripp passou a colaborar com Brian Eno numa fase menos produtiva do King Crimson (quando ele passou a gradativamente se desinteressar pelo jet set e resolveu se dedicar aos ensinamentos do guru esotérico G. I. Gurdjieff), mais ou menos após o lançamento do Starless and Bible Black. No lado 2 do álbum, Robert criou uma viagem rapsódica — Fracture, que continha menos vínculo com o rock em favor da música minimalista e experimentos de overdubs e sobreposições de instrumentos. Quando ele reencontrou Eno, o ex-integrante do Roxy Music estava num impasse criativo em estúdio. Foi quando decidiu fazer como em Taking Tiger Mountain (By Strategy) e montar uma banda instantânea recheada de convidados ilustres. Com a pequena ajuda dos seus amigos e a partir das suas resoluções estéticas contidas num manifesto chamado Oblique Strategies, Brian resolveu sair da praia do rock e, na mesma onda de Fripp, fazer algo atípico, dentro da música experimental no estilo de Klaus Schulze (do Tangerine Dream) e do próprio Robert Fripp (que seguia uma tendância ligeiramente em marcha para a anti-música), fazendo largo uso de recursos de estúdio. O resultado, Another Green World, é peculiar: complexo em sua moldura instrumental — que ia de sintetizadores plugados a leslie speakers e contrabaixos sem escalas (e de tonalidades diversas às convencionais) até um Gerador de Van de Graaff. O Lado A possui elementos que podem ser considerados pop, como Sky Saw, mas a segunda parte do álbum é permeada por música instrumental, como a onírica Zawinul/Lava, uma espécie de prelúdio para piano onde outros instrumentos são acrescentados, como numa gradação, até sublimar-se. Spirits Drifting, a coda, é invulgar. Um final acachapante para um disco idem — e que a crítica, por conta da mudança diametralmente radical de Another Green World, naturalmente não entendeu.

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22 de dezembro de 2009

Gram Parsons - Grievous Angel


Gram Parsons - Grievous Angel (1974)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Gram Parsons
Formação Principal no Disco: Gram Parsons - Emmylou Harris: vocals - Glen D. Hardin - James Burton - Emory Gordy - Ronnie Tutt - Herb Pedersen - Al Perkins
Estilo: Country Rock
Relacionados: The Byrds/The Rolling Stones/Flying Burrito Brothers/Emmylou Harris/International Submarine Band
Destaque: Love Hurts
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Gram Parsons foi um anjo caído que partiu muito cedo porém deixando uma indelével marca na história da música norte-americana moderna ao fundir o pop caipira do Bakersfield Sound (um oposto ao som conservador e sisudo de Nashville que nasceu com Buck Owens na Baixa California) com o rock'n roll, concebendo um híbrido que seria musicalmente um dos gêneros mais prolíficos a partir dos anos 70, o country-rock. é certo que, no começo dos anos 60, muitas bandas tentaram introduzir o hillibily e o bluegrass em sua sonoridade (como o Lovin' Spoonful, por exemplo) e os Byrds chegaram a elaborar um estilo diferenciado amalgamar o que se chamaria de folk-rock; contudo, foi somente a partir da colaboração quase que acidental de Parsons no quinteto de David Crosby e Roger McGinn que, junto com músicos como Clarence White e John Hartford, influenciados por gente como Merle Haggard que os Byrds iriam estragar a festa do country. e, como não poderia deixar de ser, eles acabaram pagando um proço caro pela ousadia. Gram convenceu-os a gravar o hoje clássico Sweetheart Of The Rodeo em território inimigo — Nashville. Conseguiram uma apresentação no mítico Grand Ole Opry em 1968 que acabou sendo desastrosa: foram duramente vaiados e banidos da cena musical de lá. O público não admitia que um bando de hippies cantasse a música deles e quebrasse o rígido e draconiano protocolo do conservadoríssimo e secular Opry. O tiro saiu pela culatra, pois nem os mais velhos aceitaram aquele novo som, e a maioria dos fãs dos Byrds não entenderam o disco. Foi um desastre, mas todos saíram ilesos. Menos Gram, que a despeito de ter influenciado a direção musical de Sweetheart Of The Rodeo, colaborando com a lírica Hickory Wind, foi expulso da banda durante uma turnê dos Byrds pela África do Sul, por se recusar a tocar para um público que ele considerava segregacionista. Parsons não saiu chamuscado — não havia esquentado o banco no conjunto, já que era apenas um músico contratado por Chris Hillmann, que o indicou para McGinn. No ano seguinte, o próprio Chris, já um byrd demissionário, aproveitou a deixa para formar os Flying Burrito Brothers, que seria o primeiro grupo de country-rock por excelência. A trajetória foi curta, porém assim como aconteceria com todo o trabalho de Gram, seria uma semente para o futuro. Revolucionário para aqueles tempos, Parsons só conseguiria uma relativa visibilidade para si e para seu engenho e arte depois de conhecer um outro maluco beleza, o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards: depois de mudar o som dos Byrds, ele iria fazer o mesmo com o quinteto inglês. Isso aconteceria justamente no momento em que Keith estava desplugando o rock da banda em busca de algo mais próximo do country & western. Com efeito, o rumo que Jagger e companhia seguiriam nos álbuns dos stones entre 1969 e 1972 (do Let It Bleed ao Exile On Main Street) pagam tributo à Parsons. exemplos não faltam: Country Honk, Dead Flowers, Sweet Virginia, Let It Bleed, etc). Gram aliás chegou a participar diretamente das sessões de gravação do exile em Nelicôte, em 71, mas sua personalidade instável e o abuso de drogas prejudicaram tanto a sua passagem pelos Burrito quanto pelos Stones. De volta do exílio na França, ele passaria algum tempo tocando com Ric Grech; de volta à América, ele conheceu Emmylou Harris, que estava se lançando como cantora. Era a parceria musical perfeita: a versão da dupla para Love Hurts (de Felice e Bordileaux Bryant, mesmos autores de All I Have To Do Is Dream) é certamente a mais bela irretocável de todos os tempos. Com uma excelente banda de apoio (incluindo James Burton, guitarrista de estúdio de Elvis, cuja excelência pode ser comparada a de Luther Perkins), ele lançou uma carreira solo promissora, com contrato de gravadora (a Reprise). Promissora sim, se não fosse o endêmico problema de Parsons com as drogas, em especial a heroína. Contudo, o que o matou com apenas 26 anos foi uma mistura letal de álcool e morfina (como ocorrera com Hank Williams, um dos patriarcas do country, no começo dos anos 50). Lançado postumamente, em 1974, o inacabado Grievous Angel foi o seu segundo disco pela Reprise. na verdade é um apanhado de sobras de gravações ao vivo (Hickory Wind e Cash On The Barrelhead) e esquetes do que seria o sucessor de GP, de 1972. Mesmo díspar por natureza, Grievous resume bem a música que Gram Parsons sempre buscou naquilo que ele paradigmaticamente concebia como 'Cosmic American Music', um country meio biruta que mistura o rural e urbano, o temporal e o atemporal, em suma, um country futurista e universalista, acima de rotulações beligerantes (algo que então era comum no ambiente musical conflagrado do gênero) e reducionistas. Nem a morte de Gram salvaria as pretensões do disco, que passou desapercebido na época — nem configurou nos charts. Só o tempo cuidaria de restitui à Parsons e ao subestimado Grievous Angel o devido lugar no panteão do rock.

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Robert Wyatt - Rock Bottom


Robert Wyatt - Rock Bottom (1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: Nick Mason
Formação Principal no Disco: Robert Wyatt - Mike Oldfield - Gary Windo - Ivor Cutler - Fred Frith - Hugh Hopper - Richard Sinclair - Laurie Allan
Estilo: Progressive rock
Relacionados: Soft Machine/Hugh Hopper/Pink Floyd/Steve Hillage/Dave Stewart
Destaque: Sea Song
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Robert Wyatt saiu do Soft Machine em meados de 1971 e criou uma versão bem particular da sua banda anterior, o Matching Mole: foi quando ele ensaiou seus primeiros trabalhos "solo", The End of an Ear. ele seguiu com seu projeto junto com David Sinclair, do Caravan, nos teclados, Phil Miller na guitarra e Bill MacCormick, do Quiet Sun, no contrabaixo. No total foram apenas dois discos. Quando o Mole ia lançar o terceiro elepê, aconteceu a desdita: Wyatt bebeu demais a caiu da janela. Resultado: ficou paraplégico, e teve que largar as baquetas. Acabou embarcando em outro projeto, junto com Mike Oldfield, Ivor Cutler, Henry Cow e Fred Frith, naquele que serias o disco Rock Bottom. Produzido por Nick Mason, do Pink Floyd (que, na época, chegou a fazer um concerto para angariar fundos à Robert, sob os auspícios do DJ da BBC, John Peel). Mesmo que o próprio Wyatt afirmasse que o complexto trabalho musical de Rock Bottom não tenha relação com sua vida pessoal desde então (Sea Song foi originalmente composta e ensaiada para o disco do Mole que não saiu), o disco soa como uma visão particular do Inferno, ou uma forma de exorcizar aquela mesma desdita em que o com´psitor se meteu. Um exemplo são as visões caóticas de Little Red Riding Hood Hit the Road, com seus delirantes vocais em backward e seus esquizofrênicos solos de trompete.


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20 de dezembro de 2009

Bob Marley & The Wailers - Natty Dread


Bob Marley & The Wailers - Natty Dread (1974)

Origem: Jamaica/Inglaterra
Produtor: Chris Blackwell and The Wailers
Formação Principal no Disco: Bob Marley - Aston Barrett - Carlton Barrett - Bernard "Touter" Harvey - Al Anderson - Rita Marley - Judy Mowatt - Marcia Griffiths
Estilo: Reggae
Relacionados: Burning Spear/Byron Lee/The Upsetters/Lee Perry
Destaque: No, Woman, No Cry
Melhor Posição na Billboard: 42o

Opinião do leitor:
A formação clássica dos Wailers nasceu união do trio central (Bob Marley, Bunny Wailer e Peter Tosh) mas Aston 'Family Man' Barrett e Carlton Barrett, respectivamente baixista e percussionista dos míticos Upsetters de Lee Perry, que surgiram no tempo em que o reggae era chamado de rocksteady, uma híbrido do ska em versão low profile, e sem as letras religiosas e políticas típícas do rastafarismo. Com Perry, eles gravaram vários discos até serem contratados pela britânica Island, de Chris Blackwell. Ele foi o produtor que adaptaria a música do grupo de Marley para o mercado norte-americano e europeu,ao longo dos anos 70. Quando os Wailers ensaiavam osprimeiros passos na calçada da fama, o triunvirato se separou: Tosh e Bunny resolveram seguir carreira solo. Só, Marley decidiu reagrupar a banda; manteve Aston e Carlton, completou a seção musical com Junior Marvin e Al Anderson nas guitarras e Tyrone Downie e Earl "Wya" Lindo nos teclados. Por fim, Bob passou a utilizar um backing vocal feminino que iria mudar o som para melhor, The I-Threes — Rita Marley, Judy Mowatt e Marcia Griffiths. E a banda passaria a atender pelo nome de Bob Marley And The Wailers. O primeiro disco na nova formação foi Natty Dread. A partir de agora, eles eufemizariam mais os arranjos, emcontraposição à sonoridade crua e rude dos primeiros discos, emprestando às músicas um blend mais pop que, a cada álbum, iria cair no gosto do público, desde o que já conhecia o reggae dos Wailers quanto aqueles que descobriram Marley através de um Eric Clapton, por exemplo. O grande sucessso que iria catapultar o disco viria com No woman No Cry, creditado à um amigo de infância de Marley, Vincent Ford. Na verdade, assim como acontece com outros temas de Natty Dread (exceto regravações, como Lively Up Yourself e Bend Down Low, que são do fim dos anos 60), Bob optou por despistar a sua antiga editora musical, do tempo de Lee Perry, porque ela iria provavelmente lhe vampirizar todos os direitos autorais como ocorrera com os antigos fonogramas da Trojan (eles jamais viram a cor do dinheiro dos constantes relançamentos desde então). Bob criou parcerias apócrifas com amigos e colegas de banda para editar novas canções em outra editora musical (o estrategema deu certo,mas isso iria render uma boa dor de cabeça nos anos seguintes). Ou seja, No Woman, No Cry não é de Ford, que ganhou os direitos como uma singela homenagem dos tempos de rude boys — e cuja letra de certa forma é uma nostálgica recordação daqueles nada românticos tempos de miséria em Trenchtown. Contudo, se o som dos wailes se suavizou, no tocante às letras, Marley continuava afiado e afinado com os tempos adversos que se vivia na Jamaica dos anos 70, um país dividido entre dois partidos políticos que mergulhavam o páis numa cruenta guerra civil: de um lado, o primeiro-ministro e líder do Partido Trabalhista, Edward Seaga e, do outro, o socialista Michael Manley, líder do Partido Nacional. A briga começou ainda nos anos 40, quando foi criado o sistema de dois partidos, mas iria chegar oa auge nas eleições de 1976, quando Marley quase foi assassinado por se posicionar durante o pleito, pouco antes do concerto Smile Jamaica — fato que o obrigou a partir para a Inglaterra naquele ano (dois anos mais tarde, Marley conseguria a facanha de fazer Manley e Seaga apertarem as mãos, num momento histórico sem precedentes na história da Jamaica). Muito daqueles anos poíticos aparecem refletidos em canções como Revolution, Talkin' Blues, Them Belly Full (But We Hungry) — onde ele fala da forma como o governo subestima a fome como feramenta de ódio entre os cidadãos ("a hungry mob is an angry mob") e Natty Dread. analisando dentro do seu respectivo contexto, pode-se ver que, antes de mais nada, a música de Marley era ostensivamente de protesto — muito embora, como não poderia deixar de ser, ela era a celebração da simpatia do poder, do algo mais e da alegria, como em Lively Up Yourself — que se tornaria o prelúdio das apreentações do(Bob Marley And The)s Waillers a partir de então.



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Randy Newman - Good Old Boys


Randy Newman - Good Old Boys (1974)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Lenny Waronker, Russ Titelman
Formação Principal no Disco: Randy Newman - Ry Cooder - John Platania - Ron Elliott - Dennis Budimir - Al Perkins - Russ Titelman - Willie Weeks - Red Callender - Jim Keltner - Andy Newmark - Bobbye Hall Porter - Milt Holland - Glenn Frey - Don Henley - Bernie Leadon
Estilo: Classic Pop
Relacionados: Three Dog Night/Elton John/Neil Diamond
Destaque: Rednecks
Melhor Posição na Billboard: 36o

Opinião do leitor:
Ele nunca vendeu pilhas e pilhas de discos, nunca apareceu no topo da Billboard, nunca foi uma unanimidade de crítica e público, é mais conhecido (até por quem não o conhece) como compositor e seus discos estão sempre fora de catálogo: a maioria deles só saiu em versão digital há bem pouco tempo atrás. Ele é Randy Newman, um dos músicos-compositores mais insígnes da sua geração. Suas letras são um verdadeiros primor de narativa, sarcasmo, humor negro, causticidade e duplo sentido. Newman também se tornou notório por fazer suas letras misturando uma concisão cirúrgica porém sempre enxergando a realidade sensível através dos olhos do cronista que defende sempre o lado mais fraco. Exemplos não faltam, Short People, Sail Away, Mama Told Me No To Come (clássico dos clássicos, com Eric Burdon), Yellow Man, entre outras. E o cronista cria um retrato sem retoques da fauna sem culotes dos Estados Unidos do seu tempo — perderores, misantropos, vagabundos, racistas, alcóolatras. O álbum onde Randy desenvolve e destila a sua verve de forma mais singular é justamente um dos seus trabalhos menos conhecidos, Good Old Boys. Quinto disco do composutor norte-americano, a idéia original do álbum era ser algo como um projeto conceitual, uma rescolta de crônicas falando de um tema recorrente na sua obra, o racismo nos estados confederados sulistas — dessa vez, contudo, de forma mais excpressiva e ostensiva. Amalgamento personagens reais e imaginários (nem tão imaginários assim), Newman faz uso de várias referências típicas do Sul para exorcizar o que ele considera uma cultura racista institucionalizada na "Terra da Liberdade". Redneks, por exemplo, fala do típico caipira sulista, tosco e beberão; a gospel Lousiana 1927 é referência à Grande enchente que ocorreu nesse estado do meio-leste e da miopia e do descaso das autoridades com relação á tragédia, especialmente o presidente Calvin Coolidge (que é citado), que foi justa e duramente criticado na época. Na verdade, o caso é singular no seu lado arquéptico. Aqui, Randy se refere à parte pelo todo.
Every Man a King é uma versão da marchinha de senador Huey Long, chamado de Kingfish, que se tornou famoso por criar uma campanha de salvação nacional durante a Depressão dos anos 30. Essa parte de Good Old Boys é um exemplo do que seria o tal projeto conceitual (mais Kingfish, Mr. President, que integrariam o que seria chamdo de Johnny Cutler's Birthday), que Newman acabou diluindo em outras faixas não-temáticas, como Naked Man, Birmingham e Rollin' — sem no entanto alienar o escopo da obra, essa sim, irretocável.

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19 de dezembro de 2009

Steely Dan - Pretzel Logic


Steely Dan - Pretzel Logic (1974)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Gary Katz
Formação Principal no Disco: Donald Fagen - Michael Omartian - David Paich - Walter Becker - Timothy B. Schmit - Wilton Felder - Chuck Rainey - Denny Dias - Jeff Baxter - Ben Benay - Dean Parks - Plas Johnson - Jerome Richardson - Ernie Watts - Lew McCreary - Ollie Mitchell - Jim Hodder - Jim Gordon - Jeff Porcaro
Estilo: Rock Pop
Relacionados: Frank Zappa/Captain Beefheart/Blood, Sweat and Tears
Destaque: Any Major Dude Will Tell You
Melhor Posição na Billboard: 8o

Opinião do leitor:
O Steely Dan sempre foi considerado como o lado quixotesco do rock dos anos 70, pela sua fusão peculiar do rock com jazz, pelo perfeccionismo e por não se enquadrar na maioria das tendências de época de então. Contudo, mesmo assim, a banda de Donald Fagen nunca gozou de tanta popularidade e prestígio quando do lançamento daquele que, se não for o melhor disco deles, é certamente o mais legal, Pretzel Logic. Só Rikki Don't Lose That Number chegou ao quarto lugar nas paradas e o elepê chegou ao oitavo na Billboard. Observando em retrospectiva, de certa forma, a pecha de vanguuardistas quixotescos não deixava de ter razão: mesmo decorridos mais de trinta anos de seu lançamento, Pretzel Logic não soa nem um pouco datado, muito menos difícil. Um exemplo disso é o cover que o Wilco fez de Any Major Dude Will Tell You há pouco tempo atrás, igual à versão original. Isso também serve de testemunho da contemporaneidade do Steely Dan, umabanda difícil de se relacionar a um tempo e a um lugar. Mas para não perder a fama, eles fizeram um cover (um dos poucos, senão o único) para um tema antiquíssimo do Duke Ellington (parceria com James "Bubber" Miley, um excelente trompetista que morreu muito jovem) — East St Louis Toodle-oo, gravado originalmente antes da Grande Depressão. Já Parker's Band é outra homenagem a (outro) solista de jazz, Charlie Parker.

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18 de dezembro de 2009

Gene Clark - No Other


Gene Clark - No Other (1974)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Thomas Jefferson Kaye
Formação Principal no Disco: Gene Clark - David Korchmar - Craig Doerge - Leland Sklar - Russ Kunkel - Joe Lala - Butch Trucks - Jesse Ed Davis - Clydie King - Claudia Lennear - Venetta Fields - Chris Hillman
Estilo: Folk
Relacionados: Flying Burrito Brothers/Byrds/Jesse Ed Davis/Bob Dylan
Destaque: Silver Raven
Melhor Posição na Billboard: 144o

Opinião do leitor:
Os executivos da Asylum ficaram satisfeitos com a repercussão positiva de crítica e público, com o lançamento da reunião dos membros originais dos Byrds, em 1973: o disco chegou ao vígésimo lugar nas paradas. Todos menos Gene Clark, que havia escrito a canção que dava nome ao carro-chefe do disco, Full Circle. Ele achou que a produção toda ficou centrada em Roger McGinn e em David Crosby. Ao mesmo tempo, o compositor de Set You Free This Time percebeu que aquilo era uma pequena fábrica de ilusões: eles não eram mais os mesmos e cada um já havia seguido a sua estrela. McGinn havia fez seu caminho com Clarence White até o fim da formação anterior dos Byrds. Crosby obteve enorme sucesso com seus parceiros Graham Nash e Stephen Stills e Chris Hilmann também seguiu outros rumos em direção ao country-rock com Gram Parsons e os revolucionários Flying Burrito Brothers. Enfim, o que era uma reunião na verdade, era o fim definitivo. Contudo, o que poderia ser o fim foi um recomeço, pelo menos para o próprio Gene: a Asylum achou que o trabalho de Clark no disco e seu papel como compositor não poderia ser subestimado, e lhe concederam a chance de gravar um elepê solo. Foi quando nasceu No Other. Gene se exilou no litoral do norte da California e se concentrou na composição de novas canções, querendo ir além da imagem folk que sempre o definira. Quem o ajudou no objetivo de palmilhar outros caminhos foi o produtor, Thomas Jefferson Kaye. Misturando elementos mais de gênero pop, somado à vocalizações gospel e uma linguagem ligeiramente funk (fruto da participação de Sly Stone em algumas sessões, embora não creditadas), No Other nasceu clássico. Infelizmente, como acontece com discos desse tipo, eles podem se tornar contratos de risco: O preço de inovar pode ser a inviabilidade comercial. Como a Asylum previra, quando os executivos ouviram os masters (depois de ter dado carta branca para Gene, cujo perfeccionismo inflacionou e extrapolou a previsão de custos de produção), não viram futuro ipara o álbum. E, de fato, No Other se saiu mal nas paradas. Para piorar, Clark não era o melhor divulgador de seu próprio material e, além de vender quase nada, o elepê acabou sendo mal divulgado em turnês que passariam batido. A decepção do selo foi tanta que eles sequer se interessaram pelos demos do que seria o próximo trabalho do ex-byrd. Desempregado, ele só iria transformar as demos num novo lançamento na RCO Records, anos mais tarde.

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17 de dezembro de 2009

George Jones - The Grand Tour


George Jones - The Grand Tour (1974)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Billy Sherrill
Formação Principal no Disco: George Jones
Estilo: Country
Relacionados: David Houston/Glen Campbell/Randy Travis/Johnny Paycheck
Destaque: The Weatherman
Melhor Posição na Billboard: 11o

Opinião do leitor:
Quando Johnny Cash resolveu definitivamente andar na linha, depois do seu casamento com June Carter, lá pelos idos de 1968, ele deixou um sucessor de escol para defender com engenho e arte o papel de country singer mal comportado da hora, e esse cantor atende pelo nome de George Jones. Lenda viva do gênero e, junto com Merle Haggard, um dos últimos intérpretes masculinos remanescentes dos tempos de ouro do Grande Ole Opry, Jones era uma pedra rolante capaz de rivalizar com Keith Richards em seu estilo junkie de ser. Durante décadas a fio, seu breakfest era vodka com suco de laranja. Casou-se, assim como se sucedeu com Cash, com outra lenda do country do Opry, Tammy ("Stand By Your Man") Wynette (provavelmente a maior em seu gênero depois de Patsy Cline), que também não aguentou por muito tempo as peraltices etílicas de Jones, tais como, sem nenhum veículo automotor à disposição (Tammy escondeu as chaves), viajar léguas montado em um cortador de grama para ir buscar tequila em uma liquor store. The Grand Tour foi o sexto dos seus quatorze primeiros lugares na Billboard Country ao longo de sua turbulenta carreira (quando ele conciliava tanto o auge de seu vício em alcalóide quanto em matéria de prestígio como intérprete). Jones tinha tantos problemas com drogas que dormia antes das apresentações — a ponto de ser chamado de "No-Show Jones". Consta que ele teve que pedir ajuda à seus amigos mais poróximos, Cash e Jennings, para que eles pudessem ajudá-lo em algumas turnês de 'recuperação' e, de fato, em alguns momentos, principalmente durante o casamento com Tammy, a coisa parecia dar certo. Mas não de todo. Eles se divorciariam em 75 e muito daquele funesto momento de sua vida aparece em Great Tour. Mesmo indo num estilo mais próximo ao country kitsch de langorosos solos de steel guitar do Nashville Sound (distante da voga do setentista Outlaw de Jennings e Willie Nelson), George conseguiu marcar época num disco que não foge à estética peculiar do estilo, mas que se tornou um marco - especialmente pela faixa-título, onde ele repassa toda a vida a dois que não mais existe, ao repassar momentos íntimos ao flanar pelos aposentos da casa agora vazia. seria comovente se não fosse tão clichê, mas provavelmente ele era George Jones (que, entrementes, não é o autor da canção) e a música é realmente patética — não tanto quanto o resto do elepê, produzido por seu colaborador de longa data e responsável pelas produções chamadas de countrypolitan (com uma linguagem mais urbana que o honky-tonk dos tempos da idade da pedra lascada do Hillibily), Billy Sherrill. A mística deu certo e, a despeito de todas as adversidades, Jones conseguiu ser o nome proeminente do country daquele ano, atingindo o primeiro lugar nas paradas (a saber, da Billboard Country).

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Neil Young - On The Beach


Neil Young - On The Beach (1974)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Neil Young, David Briggs, Mark Harman e Al Schmitt
Formação Principal no Disco: Neil Young – Ben Keith – Tim Drummond – Ralph Molina – Billy Talbot – Levon Helm – Joe Yankee – David Crosby – Rick Danko - George Whitsell – Graham Nash – Rusty Kershaw
Estilo: Folk Rock
Relacionados: The Band/Crosby, Stills And Nash/Manassas/Bert Jansch
Destaque: Ambulance Blues
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
On The Beach é um mistério. Como um disco tão genial e, sem sombra de dúvida, a obra-prima do compositor canadense Neil Young foi tão subestimado por seu autor, a ponto de permanecer esgotado por quase trinta anos? A questão é que ele só foi digitalzado e relançado porque seus fãs enfiaram um abaixo-assinado goela abaixo da Reprise, para que o clássico dos clássicos do autor de Cinnamon Girl voltasse às pretaleiras. On The Beach é um enigma. O disco, lançado em 74, foi gravado depois do sombrio Tonight Is The Night, mas lançado antes, porque os executivos de sua gravadora acharam que ele seria um fiasco comercial. De fato, os dois acabaram realmente passando batidos naquele momento histórico que, paradoxalmente ou não, foi a fase mais criativa de Neil — para quem achasse que ele seria capaz de superar os tempos da parceria com David Crosby e companhia. Para ele, com efeito, eram tempos sombrios: ele passou pela morte de dois de seus companheiros Danny Whitten, do Crazy Horse, e o roadie dele e dos CSNY, Bruce Berry — ambos de oversose de heroína. O impacto da perda de ambos (praticamente em sequência) é mais evidente em Tonight Is The Night; contudo, On The Beach acabou entrando naquela que seria chamado de The Ditch Trilogy por estaram interligados tanto por sua temática sombria quanto pela lucidez de suas letras, como se a tragédia fizesse com que Neil Young repassasse sua vida e carreira naquele pós-apocalipse que foi o corolário da geração Woodstock — um idealismo que se transformou num retorno ao cotidiano. Isso é exemplar na letra de Walk On, por exemplo, onde ele sente que estava no termo daquela fase do "everybody's must be stoned". Vampire Blues é um escrache com a macabra corrida do ouro da indústria petrolífera (que quase provocou um strike do mercado fonográfico análogo ao de 1942 por causa da Crise de 1973). On The Beach é um blues onde ele expressa o sentimento contrário de precisar de seu público e, ao mesmo tempo, ter horro a enfrentá-lo. Em parte, segundo depoimento do próprio compositor à Cameron Crowe à época, aquilo era em parte reflexo do momento em que ele demitiu Whitten do Crazy Horse e, numa progressão fulminante, no momento em que iria sair em turnê, em 1972, soube da morte de Danny e, sentindo-se culpado, teve que enfrentar o palco diante de uma crise existencial sem precedentes. On The Beach é um disco de histórias, mas também é multifacetado em sua concepção musical: parece repassar vários momentos de várias sessões de gravação diversas, passando por músicos de todos os naipes, e de fato isso é verdade. Young teve a colaboração tanto dos seus colegas do CSNY, Graham Nash e David Crosby quando dois dos membros da The Band, Levon Helm, na bateria e Rick Danko, no baixo, em Revolution Blues. Curioso é ver que tanta genialidade acabou não tendo o seu galardão ems eu tempo. Muita água iria correr até que a trilogia sombria de Young — completada pelo ao vivo Time Fades Away que, assim como On The Beach, amargou anos de esquecimento desde que foi lançado, em 73, cujo algoz foi seu próprio intérprete, que não quis relançá-lo e negligenciou-o por décadas.


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16 de dezembro de 2009

10cc - Sheet Music


10cc - Sheet Music (1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: 10cc
Formação Principal no Disco:
Eric Stewart – Lol Creme – Graham Gouldman – Kevin Godley
Estilo: Pop Rock
Relacionados: Big Star/Teenage Fanclub/Badfinger
Destaque: The Wall Street Shuffle
Melhor Posição na Billboard: 81o

Opinião do leitor:
Graham Gouldman pode não parecer muito familar aos ouvintes de rock em geral, mas muito antes do músico britânico fundar o 10cc — os criadores da conhecidíssima I'm Not In Love (depois regravada pelos Pretenders) — no começo dos anos 70, ele se tornou mais conhecido como um compositor de mão cheia: entre 1965 e 1967, ele compôs vários singles de sucesso, como Bus Stop (para os Hollies), No Milk Today e Listen People (para os Herman's Hermits) e o primeiro grande sucesso da até então banda de blues, Yardbirds, For Your Love. Graham também é o autor de Look Trough Any Window, East West e outro sucesso dos Yardbirds, Heart Full Of Soul. O talendo de Gouldman chamoua atenção de dois editores musicais de Nova Iorque, Kasenetz and Katz. enquanto ele trabalhava como compositor paraa dupla, ele tentava reagrupar os seus ex-colegas dos Mockingbirds, uma espécie de embrião do 10cc. entre idas e vindas, eles se encontravam em diversos projetos musicais paralelos, como Kevin Godley e Lol Creme, que ensaiaram uma dupla estilo Simon e Garfunkel. O quarteto se fechou quando Eric Stewart saiu dos Mindbenders (Graham seguia colaborando nos anos seguintes com o líder original, Wayne Fontana), em 1968 junto com o próprio Graham, que chegou a ser membro do conjunto nos seus estertores. Mesmo assim, o seu ofício era basicamente fazer sucessos para outros artistas gravarem, e essa mesma fórmula simples e fundamental iria forjar a sonoridade do 10cc, uma fórmula um pouco mais densa porém dentro do espírido do pop bubblegum — cujo nome sugere, fácil, grudento de visando tão somente galgar um primeiro lugar nas paradas. O primeiro sucesso veio em 72, uma paródia de doo-up (no mesmo estilo de Oh, Darling!, dos Beatles), ou seja, mesmo com uma cara de banda de rock, o 10cc era uma grande brincadeira que envolvia pop e pastiche e outras reelaborações estéticas numa época em que toda banda que entrasse em estúdio queria lançar uma obra-prima e, de quebra, descobrir a música do futuro. Essa naturalmente não era a pretensão de Graham e seus colegas quando lançou seu álbum mais conhecido, Sheet Music. No fim, o 10cc conseguiu fazer um disco datadamente atemporal, com arranjos e canções excelentes, como Somewhere In Hollywood e The Worst Band In The World, embora Graham não conseguisse como compositor a mesma visibilidade que e excelência que o tornou famoso em meados dos anos 60 mas naturalmente colocou a banda nos píncaros azulados da fama naqueles idos de 74: eles conseguiram ficar com Sheet Music por dois meses e meio despontando nas paradas, o que lhes permitiu excursionar pelos Estados Unidos no ano seguinte.



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15 de dezembro de 2009

Queen - Sheer Heart Attack


Queen - Sheer Heart Attack (1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: Roy Thomas Baker, Queen
Formação Principal no Disco: Freddie Mercury - Brian May - Roger Taylor - John Deacon
Estilo: Rock/Glam/Pop
Relacionados: Slade/Mark Bolan/Mott The Hopple
Destaque: Killer Queen
Melhor Posição na Billboard:12o

Opinião do leitor:
quem considera o Queen uma banda superestimada (e isso se deve talvez por conta dos incontáveis hit singles pack que eles lançaram nos anos 80) deveria ouvir os seus discos lançados ao longo dos anos 70, e especialemte um deles, o seu terceiro elepê de estúdio, Sheer Heart Attack. Para um disco essencialmente comercial numa época em que a quase totalidade das bandas primava pelo profundo ecletismo e versatilidade em suas produções, o quarteto de Freddie Mercury fez um trabalho genialmente pretensioso e diversificado, explorando todas as possibilidades (e impossibilidades) musicais, num entrosamento ímpar entre os músicos (principalmente pelos vocais de todos os quatro), cujo lavor de pré-produção extrapolou os limites do perfeccionismo - capitaneados pela indefectível guitarra de May em petardos como Stone Gold Crazy e Killer Queen ou os teclados de Mercury, que pode ser extrema e extremamente inventivo com o piano para um vocalista — como em Bring Back That Leroy Brown (Brian toca um uekle, soando como um raga dos tempos do Jelly Roll Morton), um boogie divertidíssimo e que seria um exemplo da sonoridade do Queen em dividir as músicas em seções, transformando-as em mini-suítes. Uma experiência tão bem sucedida que iria desaguar naturalmente no zênite da careira do quarteto inglês, o A Night at the Opera, em 75. Sheer Heart Attack também seria o primeiro grande êxito do Queen no mercado mais cobiçado no mundo, o americano, onde o álbum cheogou ao décimo segundo lugar na Billboard, enquanto Killer queen chegava ao segundo lugar nas paradas britânicas.

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12 de dezembro de 2009

Gil Scott-Heron & Brian Jackson - Winter In America


Gil Scott-Heron & Brian Jackson - Winter In America (1974)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Gil Scott-Heron, Brian Jackson
Formação Principal no Disco: Gil Scott-Heron – Brian Jackson – Danny Bowens – Bob Adams
Estilo: Soul
Relacionados: Marvin Gaye/Herbie Hancock/War/Nina Simone/Fela Kuti/Stevie Wonder
Destaque: The Bottle/Song for Bobby Smith
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Gravações de poesia declamada com jazz de background não eram novidade no começo dos anos 70, quando o mitológico demiurgo black power Gil Scott-Heron lançou o seu Winter In America. O gênero nasceu no auge do movimento beatnik, no fim dos sisudos anos 50, quando Jack Kerouac citava o seu Cenas de Nova Iorque intercalado com gravações de Charlie Parker tocando Scrapple to The Apple ou coisa parecida, em elepês de dez polegadas. Aliás, jazz e poesia sempre tiveram essa relação com o universo dos subterâneos, e Scott-Heron era um subproduto típico desse estilo — porém num novo contexto. Ao invés do be-bop, o jazz fusion e seu típico ecletismo multicultural e em vez da luta suicida em favor dos Direitos Civis no tempo de Rosa Parks, que, de dentro de um ônibus, liquidou com a espúria e secular lei Jim Crow. Agora vivia-se um novo momento — o tempo do afro-centrismo do "black is beautiful" mas num mundo onde as pessoas tentavam ainda entender o que havia restado de todo aquele ágape que foram os loucos anos 60. No mesmo espírito de protesto, contudo, Gil e seu insigne e genial colaborador, o pianista Brian Jackson contava a boa nova de uma nova forma, imbuída de muito jazz, blues e sólida poesia. Winter In America é um projeto audacioso em seu escopo, mas simples em sua estrutura. O duo entrou para uma gravadora que, na verdade, era uma espécie de cooperativa — a Strata-East, e foi produzido e gravado num estúdio liliputiano — Brian tocou a maioria dos instrumentos no corredor do estúdio, que mal dava para duas pessoas. Um disco audacioso e despretensioso, mas musicalmente distante do universo carola de um disco essencialmente com material 'de protesto' ou de uma poética declamatória tão somente retórica, posuda, blasé, acadêmica ou p(l)asmacenta: Winter In America é, pelo menos naquilo que se propõe — tanto em poesia quanto em música — nada menos que o melhor que se fez e o que se viria a fazer no palmilhar dos anos 70. Na sessão musical, capitaneada quase que totalmente por Brian Jackson, para sim selo tão pequeno e um estúdio idem, ele é um gigante: toca quase todos os instrumentos de sopro. O efeito é balsâmico, ainda mais quando solidamente emoldurado pelo baixo Fender de Denny Bowens. Já no universo poético, Heron dizia que o Inverno a que ele se referia era, com efeito, uma metáfora aos tempos adversos em que se vivia: Watergate, cocaína, guerra, crise ideológica, miséria material e espiritual, hedonismo social, etc, etc, etc. na contracapa, Gil Scott dá a largada: "não me refiro à época do gelo, mas sim à época em que estamos a singrar; o estio está um pouco distante — uma primavera de companherismo entre os irmãos de cor. Todos estão procurando algo, mudando. Há uma busca em nossas almas que nos faz procurar, descobrir e lutar contra um sistema que não nos permite caminhar ou nos expressar de todo. A humanidade ocidental distorceu tudo", diz o poeta. "Chegamos ao vértice de um inverno que se apresenta como o período mais patético na história dese império industrial, que nos ameaça com racionamentos de energia (petróleo) mas, nos, os homens de cor, temos uma inesgotável carga de energia, uma inesgotável carga de beleza e uma determinação inabalável. Tenho muito a falar sobre o amor pelo futuro e pela Luz. Nos encontraremos na primavera". Ou, como disse alguém, nem Isaac Hayes junto com Curtis Mayfield fariam algo melhor.

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11 de dezembro de 2009

Richard & Linda Thompson - I Want To See The Bright Lights Tonight


Richard & Linda Thompson - I Want To See The Bright Lights Tonight (1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: Richard Thompson, John Wood
Formação Principal no Disco: Richard Thompson - Linda Thompson - Timmy Donald - Pat Donaldson -
John Kirkpatrick - Simon Nicol - Brian Gulland - Richard Harvey - Royston Wood -
The CWS Silver Band
Estilo: Country/Folk/Folk Rock
Relacionados: Fairport Convention/Albion Band/Srawbs/Nick Drake/Sandy Denny/Steeleye Span
Destaque: Has He Got A Friend For Me
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
O compositor e multinstrumentista londrino Richard Thompson é bastante conhecido por sua contribuição na mais conhecida banda de folk da Grã-Bretanha, o Fairport Convention. Ali ele permaneceu de 1967 até 1970, quando resolveu investir mais na careira de escritor e chegou a questionar suas qualidades como músico, embora Richard tivesse todos os elogios de gente como Richard williamns, crítico que o chamava de "Coltrane da guitarra clássica" e o produtor do Fairport, Joe Boyd, que o considerava um dos poucos de sua geração que soube misturar, dentro do folk britânico, o blend característico do material oriundo de suas raízes americanas com o forte acento do folclore escocês, que ele adquiriu por influência de seu pai. Mesmo em dúvidas quanto a seguir ou não uma carreira-solo, Thompson seguiu dando canjas como músico de estúdio até que, dois anos depois de largar o Fairport, lançou seu primeiro disco, Henry the Human Fly, gravado junto com gente de seu antigo conjunto, como Sandy Denny. Ali ele conheceu Linda Peters. Se apaixonaram e viraram uma dupla. De quebra, Richard ganhou uma consorte e uma nova fase em sua vida de músico. O primeiro passo foi justamente o maior e mais importante — o lançamento do elepê I Want To See The Bright Lights Tonight. As sessões duraram pouco mais de duas semanas em maio de 1973 porém a Island protelou o lançamento do disco por quase um ano, alegando não saber o que fazer com ele (na época havia ainda as crise do petróleo, que quase provocou um lockout na prensagem de vinil). A verdade é que boa parte do material oriundo do folk inglês sempre foi ligeiramente subestimado e I Want To See The Bright Lights Tonight, que não difere muito do estilo do Fairport (que em parte participou da produção, lógico), preza tanto pelo ar circunspecto e introspectivo (e típico do folk britânico) quanto pela excelência na eclética profusão de instrumentos de corda (dulcimer, autoharp, violinos). Mas o fator fundamental que os une é o fato de que Richard Thompson fez outra (mais uma) obra-prima que influênciou muito mais a geração posterior de músicos do que de ouvintes — o que não é nenhum demérito.

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10 de dezembro de 2009

Supertramp - Crime Of The Century


Supertramp - Crime Of The Century(1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: Ken Scott
Formação Principal no Disco: Bob C. Benberg - Roger Hodgson - John Anthony Helliwell - Dougie Thomson - Richard Davies
Estilo: Rock/Progressive Rock
Relacionados: Argosy/Crème Anglaise/David Gilmour
Destaque: School
Melhor Posição na Billboard: 38o

Opinião do leitor:
O Supertramp foi a primeira banda britânica a conseguir um contrato com a Alpert & Moss. Porém, a despeito do relativo suceso de crítica dos primeiros álbuns, eles não conseguiram vender muito bem. Depois do Indelibly Stamped, o contrato promissor do conjunto de Roger Hodgson ficou por um fio. Para piorar, eles perderam o valoroso mecenato de Stanley Miesegaes e esse fato quase pôr o grupo em xeque. Aliás, de fato, eles praticamente entraram em concordata naquele momento histórico. Mas a posição adversa, quando coloca alguém numa situação adversa, poder servir para que se tenha uma reação positiva. É possível que aquele estado das coisas fez justamente com que os tramps dessem a volta por cima como deram com o genialíssimo Crime Of The Century. Sem a grana do mecenas germânico, mendigando feito os Retirantes de Portinari, chegando a trabalhar como músicos condotierri para ninguém menos que Chuck Berry (que nunca dispensava isso, acreditando que todo sujeito que empunhasse uma guitarra soubese todo o seu repertório, o que não seria um exagero de todo). Com lavor de joalheiro, o Supertramp esqueceu os problemas e enfiou coração, mente e intestinos nos ensaios, talhando obsessivamente mais de quarenta músicas, gravando e regravando-as em dezenas de fitas demo que renderiam pelos trabalhos seguintes, daqueles ensaios apareceria a espinha dorsal de Crime Of The Century. O corolário, além de um disco impecável, com uma pré-produção fantástica (a cargo do rodado Ken Scott), e músicas excelentes, o disco foi o upgrade essencial na carreira do quinteto inglês. Contudo, mesmo que concebido de forma primorosa, Rick Davies revelou, anos mais tarde, que nunca teve grandes pretensões na hora de conceber o disco. "Não queríamos fazer algo como Tommy", conta. "Apenas um disco leve para que as pessoas gostassem de escutar". E mesmo sendo relacionado ao cânone do progressivo de então, foi exatamente o que eles fizeram, um trabalho eficiente, simples e não menos inteligente. Chegaram ao quarto lugar na terra de Sua Majestade Britânica, e a América abriu suas portas para a banda com sucessos como Dreamer — principalmente por Bloody Well Right. Um Lado B originalmente, chegou ao 35o nos Estados Unidos. Seria o primeiro grande êxito do Supertramp em teras ianques, cujo paroxismo dos paroxismos chegaria cinco anos depois, com outro número 1, o incensado Breakfast in America.

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9 de dezembro de 2009

Sparks - Kimono My House


Sparks - Kimono My House(1974)
Origem: Alemanha
Produtor: Muff Winwood
Formação Principal no Disco:
Russell Mael - Ron Mael - Martin Gordon - Adrian Fisher - Norman "Dinky" Diamond
Estilo: Rock Pop
Relacionados: Queen/Todd Rundgren/Elton John
Destaque: This Town Ain't Big Enough for Both of Us
Melhor Posição na Billboard: 101o

Opinião do leitor:
Os irmãos Ron and Russell Mael nasceram e cresceram no seio da boemia bem-vestida da Los Angeles dos anos 60: Sunset Strip, Pj's, Whisky a Go-Go, Johnny Rivers, Beach Boys, Trini Lopez, viram o Buffalo Springfield nascer (e morrer) junto com o Love de Bryan MacLean e de Arthur Lee, os Doors de Jim Morrison e toda a cena californiana do folk e do psicodélico, do Dead ao Jefferson Airplane. No entanto, eles detestavam quase tudo daquilo: para eles, aquele folk era soporífero demais. Cedo assumiriam o seu lado anglófilo, preferindo ouvir o que vinha do outro lado do Atlântico, Kinks e Who. Mesmo adotados por Al Grosmann (produtor de Dylan e Peter, Paul And Mary) e Todd Rundgren, não fizeram muito sucesso na América. No começo dos 70, se exilaram na Inglaterra. Foi ali que o Sparks começou a sua trajetória internacional. E o sucesso viria justamente a partir da Europa. Russell e Ron, com Adrian Fisher na guitarra e Dinky Diamond na percussão o quarteto daria a luz à sua obra-prima, Kimono My House, em maio de 1974. Quem apostou as fichas neles foi a Island, que tinha larga experiência em aventuras desse tipo — em sua maioria, sempre bem sucedidas. Caso é que o Sparks, dentro (e fora) do espírito de época, baseado num honesto power pop ia um tanto além do cânone, em criações que primavam pelo ecletismo musical que passava por uma reelaboração peculiar do glam (Barbecutie, Lost And Found) e do experimentalismo do Rocy Music e de David Bowie em vocais bizarros a la castratto ( como em This Town Ain't Big Enough for Both of Us) sob os auspícios de Russell, que vagamente lembram (vagamente) Huey Smith And The Clowns. O curioso é ver que, a despeito do enorme sucesso que o Sparks gozava tanto nas Ilhas Britânicas quanto na Alemanha e em boa parte do continente europeu, eles estacaram na metada da lista da Billboard. Só retornariam aos Estados Unidos no fim da década, já em outra gravadora (a CBS, embora a Island distribuisse os discos na Inglatera) mas sem conseguir emplacar como nos tempos do Kimono My House que, aliás, tem uma das capas mais engraçadas de todos os tempos.

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8 de dezembro de 2009

Tangerine Dream - Phaedra


Tangerine Dream - Phaedra(1974)
Origem: Alemanha
Produtor: Edgar Froese
Formação Principal no Disco:
Edgar Froese – Christopher Franke – Peter Baumann
Estilo: Art Rock, Progressive Rock
Relacionados: Kraftwerk/Can/Soft Machine
Destaque: Phaedra
Melhor Posição na Billboard: 196o

Opinião do leitor:
Se você não curte New Age, culpe um sujeito chamado Edgar Froese, o feiticeiro por trás dos sintetizadores, clavinetas e moogs da mítica banda alemã Tangerine Dream. E culpe outro sujeito chamado Salvador Dalí. Pios foi pintor catalão e mestre do Surealismo quem fez a cabeça do músico a pónto dele abandonar os seus arremedos de folk rock sessentista e se tornar mais um dos agitadores culturais do começo dos anos 70 que decidiu misturar arte com música popular, a partir dos movimentos deflagrados pelo Krautrock, tão genial quanto hoje ligeiramente subestimado. Depois do encontro marcante com Dalí, Froese decidiu procurar na cena undergropund alemã outros músicos que estivessem sintonizados com a sua concepção estética em desembarfcar em mares nunca dantes navegados em matéria de viagens sonoras. Na sua formação mais singular (dentre tantas), Edgar, Steve Jolliffe, Klaus Schulze e Conrad Schnitzler fariam Phaedra, um marco da música eletrônica 7 no sentido de representar um passo a frente além do estilo entronizado pela escola do Krautrock, mais baseada no ritmo do que na reelaboração do rock progressivo e o space rock, contudo essencial e oniricamente instrumental. E um dos maiores êxitos comerciais do Tangerine Dream: profusões de sintetizadores emoldurados por evoluções de linhas de contrabaixo e guitarras mimetizando sons etéreos. Phaedra é uma longa improvisação emforma de concerto em quatro movimentos, cuja tônica reside num conúbio entre 'instrumentos' eletrônicos (como a utilização de osciladores para o registro de um tempo sonoro repetitivo como tape loops) e não-eletrônicos (a flauta de Peter Baumann, por exemplo).


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28 de novembro de 2009

Roxy Music - Country Life


Roxy Music - Country Life(1974)
Origem: Inglaterra
Produtor: Roxy Music, John Punter
Formação Principal no Disco:
Bryan Ferry – John Gustafson – Edwin Jobson – Andrew Mackay – Phil Manzanera – Paul Thompson
Estilo: Art Rock
Relacionados: David Bowie/H.P. Lovecraft /Marc Bolan
Destaque: Prairie Rose
Melhor Posição na Billboard: 37o

Opinião do leitor:
Brian Eno e Bryan Ferry eram gente demais para capitanear o Roxy Music naqueles idos de 73. O primeiro desembarcou da banda depois de dois álbuns e seguiu uma exitosa careira-solo. Os demais membros do Roxy também questionavam os desmandos de Ferry mas, no momento em que Eno debandou, eles decidiram permanecer no séquito do segundo. a banda poderia ter perdido um colaborador insubstituível sem o criador de Here Come the Warm Jets, mas a coisa não se deu dessa maneira — pelo menos não ainda, como diria Santo Agostinho. Fery também não se deu por vencido e, assim como aconteceu com o seu antípoda, ele resolveu virar solo, porém como intérprete: lançou o curioso disco de covers These Foolish Things (que ia de Miracles até Lesley Gore), que, entre várias participações especiais, contava com a do guitarrista do próprio Roxy Music, Phil Manzanera. De fato, a banda agora ele ele & eles, e assim seria, mesmo depois do hiato que viria após Siren, dois anos depois do trabalho que, por muitos, é considerado o mais consistente do conjunto britânico, Country Life. Sem Eno, o Roxy passava a soar menos experimental, porémmantendo a excelência das composições do triunvirato Ferry-Andy Mackay-Manzanera. Mesmo assim, Country Life (cujo título é tirado de conhecida publicação) amntém a tradição do RM em fazer um smooth rock filtrado e um excêntrico pop eclético, que vai do R&B irresistível de If It Takes All Night até os aroubos barrocos a la Scarlatti em Triptych. O detalhe ficaria por conta da capa prá lá de polêmica, que trazia as modelos Constanze Karoli e Eveline Grunwald em roupas de baixo. Por conta disso, a capa seria vetada em vários países — inclusive nos Estados Unidos — por longos cinco anos. Sobre Country Life, a Rolling Stone se referiria ao disco como o "paroxismo do rock artístico inglês contemporâneo".

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27 de novembro de 2009

Queen - Queen II


Queen - Queen II(1974)
Origem: Inglaterra
Produtor: Roy Thomas Baker, Robin Geoffrey Cable e Queen
Formação Principal no Disco: Freddie Mercury - Brian May - Roger Taylor - John Deacon - Roy Thomas Baker
Estilo: Rock
Relacionados: Rainbow/Ted Nugent/Blue Öyster Cult
Destaque: Father to Son
Melhor Posição na Billboard: 49o

Opinião do leitor:
O Queen fazia o circuito universitário de rock na Londres do começo dos anos 70 quando, em 72, conseguiu uma chance de entrar num estúdio de gravação, o De Lane Lea Studios. De posse de uma demo em mãos, agora eles podiam tentar vender o peixe com qualquer gravadora que se dispusesse a ouvi-los. Conseguiram um contrato com a liliputiana Chrysalis Records, onde só tinham espaço para gravar fora do horário de expediente das bandas "normais, isto é, de madrugada. Eis que, certa feita, o produtor Robin Cable convidou Freddie Mercury para fazer os vocais de uma cover das Ronettes, I Can Hear Music. Mercury não pensou duas vezes, e colocou o Queen no projeto. Aos trancos e barancos e superando dificuldades técnicas, eles conseguiram fazer um master tape do que seria o seu debut, Queen, que continha a promissora Keep Yourself Alive. O disco passou batido por crítica e público. O disco não fez sombra, mas permitiu ao quarteto inglês um segundo vôo, Queen II. Dentro do espírito da época, amalgamando tanto o hard rock quanto o progressivo (o álbum é um arremedo conceitual bem sucedido). Contudo, partindo de uma matriz comum, a banda de Mercury e Brian May botou no mundo o melhor disco mais subestimado de todos os tempos se o Queen, algum tempo depois, não se tornase o Queen. Transcendendo a rudeza do rock pesado de então, do rococó progressivo e da espirituosa excentricidade do glam, e contando com o estro de Mike Stone, que já havia trabalhado com gente como o Genesis, eles fizeram um disco autoral, audacioso, inteligente, bem elaborado, com construções melódicas exuberantes (White Queen (As It Began), sem contar com os trechos produzidos por Mercury que, a despeito de ser elernizado como vocalista, fez no disco um trabalho espetacular nos teclados) e em vocais insuperáveis. O parto foi menos complicado que o do primeiro rebento mas, para andar sozinho, o Queen II passou por alguns acidentes de percurso: a Trident, que havia bancado o lançamento do primeiro LP resolveu segurá-lo, já que o número 1 havia saído há menos de um ano. Além disso, até a insuspeita Crise do Petróleo de 1973 fez com que a fabricação de vinil atrasasse por alguns meses. Um erro no lay-out da capa, quase na pré-venda do álbum, conseguiu atrasar mais um pouco a data do seu lançamento, em março de 1974. Crítica e público se dividiram, mas mesmo assim, Queen II chegou ao quinto lugar no Reino Unido e Seven Seas of Rhye faz com que o quarteto conseguisse boa visibilidade nos Estados Unidos. Dada a largada, mesmo depois de tantos problemas, Mercury & companhia colocaram o disco em primeiro plano nas futuras turnês e mesmo ainda distante do paradigma low pop que a banda iria adquirir a partir do A Night at the Opera , o Queen II permanece como um dos melhores discos de rock da década.

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24 de novembro de 2009

Joni Mitchell - Court and Spark


Joni Mitchell - Court and Spark(1974)
Origem: Estados Unidos
Produtor: Joni Mitchell
Formação Principal no Disco: Joni Mitchell - John Guerin - Wilton Felder - Max Bennett - Jim Hughart - Milt Holland - Tom Scott - Chuck Findley - Joe Sample - David Crosby - Graham Nash - Susan Webb - Larry Carlton - Wayne Perkins - Dennis Budimir - José Feliciano - Cheech Marin - Tommy Chong
Estilo: Pop Jazz
Relacionados: CSN/Emmylou Harris/Laura Nyro
Destaque: Free Man in Paris
Melhor Posição na Billboard: 2o

Opinião do leitor:
Jono Mitchell sempre se notabilizou por álbuns com produções descomplicadas e rigorosamente acústicas, que se moldavam ao seu estilo entronizado pelo signo do folk, em canções como Chelsea Morning, Both Sides Now, All I Want, e Big Yellow Taxi, por exemplo. Um dos seus maiores sucessos, Blue, é uma incursão pelo gênero e considerado um de seus trabalhos mais marcantes. No entanto, foi justamente ao mudar esse paradigma que a cantora e compositora canadense criou a sua obra-prima, Court and Spark. A mudança poderia ter sido desastrosa para uma artista que soube consolidar uma imagem perante o seu público ouvinte e, de fato, a repercussão do lançamento do primeiro compacto simples do álbum, Raised on Robbery, deu mostras de que a coisa seria difícil: conseguiu um único e escasso sexagésimo quinto lugar na Billboard. Mas, junto com o lançamento do disco, em janeiro de 1974, Court and Spark subiu para o topo das paradas, junto com o segundo single, a nostálgica Help Me, a mais bela canção do disco, chegou ao primeiro lugar. Court and Spark também foi o primeiro disco de Joni pelo novo selo Asylum, uma subsidiária da Columbia, e que havia recentemente sido criada e que, num relativamente bem sucedido golpe comercial, arregimentando arsistas de escol, como os Byrds, Bob Dylan (que havia lançado recentemente seu Planet Waves), Linda Ronstadt e os Eagles.

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21 de novembro de 2009

Van Morrison - It's Too Late to Stop Now


Van Morrison - It's Too Late to Stop Now(1974)
Origem: Inglaterra
Produtor: Van Morrison, Ted Templeman
Formação Principal no Disco: Van Morrison - Teressa "Terry" Adams - Bill Atwood - Nancy Ellis - Tom Halpin - David Hayes - Tim Kovatch - Jeff Labes - John Platania - Nathan Rubin - Jack Schroer - Dahaud Shaar
Estilo: Pop Jazz/Irish Folk
Relacionados: Paul Simon/Scott Walker/Fairport Convention
Destaque: Cyprus Avenue
Melhor Posição na Billboard: 53o

Opinião do leitor:
Depois de lançar um disco fantástico chamado Veedon Fleece — tão genial quanto o incensado Astral Weeks ou o eclético Moondance, Van Morrison entrou num hiato criativo que só terminaria quase três anos depois, com A Period of Transition. Nesse meio tempo, ele amiúde se dedicaria aos palcos, cantando seus sucessos em exitosas turnês. O grande testemunho dessa fase do cantor e compositor irlandês, em sua grande forma, está no álbum It's Too Late to Stop Now. Considerado um dos maiores e mais marcantes registros ao vivo de um intérprete (pop) de todos os tempos, no nível do Enregistrement Public à l'Olympia 1962, do Jacques Brel, It's Too Late to Stop Now é um passeio nos dez anos de carreira de Morrison, indo desde os tempos do Them, com Gloria, passando pelo seu primeiro grande sucesso como artista solo (Brown-Eyed Girl, mas que só saiu na versão SACD de 2008), a sua obra-prima, Astral Weeks, com a místico-platônica Cyprus Avenue, cujo bordão que Van usava no fim dela nos shows (" It's Too Late to Stop Now") se tornaria o mote do disco, além de outros grandes momentos, como Into the Mystic e These Dreams of You, do Moondance, e covers interessantes de Willie Dixon (I Just Wanna Make Love To You), Ray Charles (I Believe to My Soul), Sam Cooke (Bring It On Home To Me) e dois standards de Sonny Boy Williamson — Take Your Hands Out of My Pocket e Help Me, que relembram o Van Morison menos smooth jazz e mais o blues singer dos tempos do Them. Uma curiosidade: ao contrário do que acontece com todo disco gravado ao vivo, o perfeccionista Morrison não permitiu que se fizesse nenhuma mixagem, overdub ou quaisquer maquiagens em estúdio para sublimar alguma falha dos tapes originais. Por conta disso, Moondance ficou de fora da mixagem final do LP, porquanto um dos músicos havia simplesmente errado um acorde.

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20 de novembro de 2009

Kraftwerk - Autobahn


Kraftwerk - Autobahn(1974)
Origem: Alemanha
Produtor: Conny Plank, Ralf Hütter e Florian Schneider
Formação Principal no Disco: Ralf Hütter – Florian Schneider – Klaus Röder - Wolfgang Flür
Estilo: Eletronic Music
Relacionados: Can/Soft Machine/Cluster
Destaque: Kometenmelodie 2
Melhor Posição na Billboard: 25o

Opinião do leitor:
O Kraftverk nasceu da idéia de dois estudantes do Conservatório Musical de Düsseldorf, Florian Schneider e Ralf Hütter. Ambos gostavam de música eletrônica e passaram os quatro anos seguintes fazento diversas experimentações no gênero, com diversos músicos em projetos idem. Contudo, a influência seminal para o desenvolvimento do que viria a ser a banda veio através de uma espécie de mecenas, o produtor Konrad Plank, e do trabalho desenvolvido pelo pessoal do Krautrock, em especial o Can do Future Days. Autobahn, por sua vez, seria o primeiro dentro do novo paradigma do Kraftwerk — mais voltado à música eletrtônica propriamente dita, mas desenvolvendo o seu trabalho de forma mais acurada e rigorosa e em álbuns essencialmente conceituais. O mote do disco, cujo título em português é algo como "auto-estrada", é algo como imaginar como seria uma mímese em sons da viagem entre Köln to Bonn, pela rodovia mais antiga da Alemanha. A faixa que dá nome ao disco (a única não-instrumental de todo), a despeito do caráter experimentalista, numa versão reduzida para compacto simples estouraria nas paradas no Verão de 1974 — o que lhes renderia uma exitosa turnê, no ano seguinte.

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13 de novembro de 2009

Eric Clapton - 461 Ocean Boulevard


Eric Clapton - 461 Ocean Boulevard(1974)
Origem: Estados Unidos
Produtor: Tom Dowd
Formação Principal no Disco: Eric Clapton - Yvonne Elliman - Albhy Galuten - Tom Bernfeld - Dick Sims - George Terry - Carl Radle - Jamie Oldaker - Al Jackson, Jr. - Jim Fox
Estilo: Rock, Pop
Relacionados: Johnny Winter/Allman Brothers/George Harrison
Destaque: I Shot The Sheriff
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
A barra começou a pesar para Eric Clapton quando um gorila se dependurou no seu pescoço por um longo tempo. Como se não bastasem problemas dcom heroína, ele ainda tinha problemas com álcool e questiúnculas sentimentais não resolvidas. Tudo isso o entrevou num hiato que durou mais de três anos: nesse período, pouco ou quase nada ele produziu, desde o fim do projeto com o Derek And The Dominoes. Quem mudariao estado das coisas seria o bom-samaritano Pete Townshend que, vendo o seu colega naquele triste estado, quem organizou um concertro de boas vindas ao slowhand, no Rainbow Theatre, Finsbury Park, em Londres, que o ajudou a tanto a livrá-lo do vício quanto a ter coragem para retomar a sua carreira musical. Acabou trocando o gorila por algo mais interessante, Pattie Boyd que, depois de anos, cedeu aos seus apelos. Dada a largada, Eric juntou uma nova banda, com George Terry, Dick Sims, Jamie Oldaker e as vocalistas Yvonne Elliman e Marcy Levy para gravar o seu segundo disco solo (o dèbut, como se sabe, foi em 1970, naquele álbum que tem After Midnight e Let It Rain) — 461 Ocean Boulevard. Dessa vez, Clapton deixa de lado sua seminal influência no blues e sua característica de desenvolver solos épicos e gigantescos para desenvolver melodias mais simples em canções mais curtas, contudo sem negligenciar a excelência dos aranjos. Em 461 Ocean Boulevard, Eric aposta numa linguagem mais pop, como se pode notar em Mainline Florida, mas sem perder os fundamentos bluesísticos, ele vai do gospel em Give Me Strength, Steady Rollin' Man (Robert Johnson)I Can't Hold Out — clássico de Elmore James e Willie and the Hand Jive, de Johnny Otis. A surpresa iria ficar por conta do cover de I Shot The Sheriff, originalmente gravado pelos Waillers no disco Burnin', de 1973. Clapton conquistou o seu primeiro 1# nas paradas (e único nos Estados Unidos) e, de quebra, sua versão serviu para divulgar o reggae e a música de Bob Marley que, na época, estava em ascenção, depois do lançamento de Stir It Up, seu primeiro êxito fora da Jamaica até No Woman No Cry. Em tempo: 461 Ocean Boulevard era, na época, a ilha dos bem-aventurados de Clapton em Golden Beach, em Miami, Florida...


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12 de novembro de 2009

Steve Wonder - Fulfillingness' First Finale


Steve Wonder - Fulfillingness' First Finale(1974)
Origem: Estados Unidos
Produtor: Stevie Wonder, Robert Margouleff e Malcolm Cecil
Formação Principal no Disco: Stevie Wonder - Paul Anka - Shirley Brewer - Jim Gilstrap - Lani Groves - Bobbye Hall - Jackson 5 - James Jamerson - "Sneakey Pete" Kleinow - Larry Nastyee - Reggie McBride - The Persuasions - Minnie Riperton - Rocky - Michael Sembello - Deneice Williams - Syreeta Wright
Estilo: R&B, Soul
Relacionados: Temptations/Marvin Gaye/Al Green
Destaque: You Haven't Done Nothin'
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Depois do passional e político Innervisions, Stevie Wonder cercou-se de um batalhão de músicos (que ia de Minnie Riperton, Paul Anka, Deniece Williams até os Jackson 5) para gravar Fulfillingness' First Finale, clássico dentro dos clássicos na discografia setecentista do músico norte-americano, porém mostrando um lado mais low profile do autor de All in Love Is Fair. Muitos creditam isso à uma espécie de revelação que ele teve logo após o lançamento do seu álbum anterior, quando sofreu um grave acidente que lhe deixou muitas seqüelas, lhe entrevando numa confusão de sentidos e em quatro dias de coma — e que para ele foi quase um renascimento existencial em pleno auge da carreira. A distância do modelo anterior apresentado por Steve difere de forma diametral nos arranjos de Fulfillingness' First Finale — menos histriônicos, e mais dado à pura e simples audição. No entanto, como não poderia deixar de ser, Wonder rende seu engenho e arte para a criação de canções lapidares e clássicas desde o berço, como You Haven't Done Nothin' (um libelo contra os desmandos do presidente Richard Nixon) e Boogie On Reggae Woman — que, juntos à produção impecável do disco, lhe permitiu amealhar mais um Grammy de album do ano.

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Shuggie Otis - Inspiration Information


Shuggie Otis - Inspiration Information(1974)
Origem: Estados Unidos
Produtor: Shuggie Otis
Formação Principal no Disco: Shuggie Otis
Estilo: R&B, soul, rock, blues, funk
Relacionados: Temptations/Sly Stone/Funkadelic
Destaque: Inspiration Information
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Multi-instrumentista, expedicionário musical, Shuggie Otis é uma força da natureza — e uma anomalia. Filho do produtor musical Johnny Otis, Shuggie cedo aprendeu a tocar toda a sorte de instrumentos possíveis. Seu batismo de fogo foi incógnito, em inferninhos da moda na Los Angeles do começo dos anos 60. Porém, seu grande desafio foi substituir Stephen Stills naquela que seria o precursor dos super-grupos (ou superbandas), no disco Super Session, em companhia de Al Kooper (aquele, do Blood, Sweat And Tears e músico da banda de Bob Dylan em 1965) e o subestimado e genial guitarrista Mike Bloomfield (que, com Kooper, participou das sessões do Highway 61 Revisited). Seu primeiro álbumn, Here Comes Shuggie Otis, mostrava que ele era um músico diferenciado, e transava mais o som de Frank Zappa junto com as invencionices de Sly Stone e a tresloucada elegância de Arthur Lee. Sua obra-prima, no entanto, é o híbrido e fragmentário Inspiration Information. Experimental até a medula, o disco é uma flor de perfecionismo: tanto que Otis levou cerca de três anos e meio para se dar por satisfeito. Anti-comercial, quase anti-musical, como toda piração musical, sua tendência é pregar num deserto de incompreensão, muito embora o álbum não seja o que se pode chamar de "difícil". Contudo, está deveras longe do cânone do soul consumível até então. Difícil mesmo era o próprio Otis e sua arredia personalidade — ele declinou da oportunidade de excursionar com os Stones através do convite de Billy Preston. Também acabou não aceitando lançar um disco com Quincy Jones. Acabou ganhando a pecha de "donzelão" e, no fim, terminou se virando num obscuro músico de estúdio, muito comentado, regravado, sampleado, discutido, mas quase inédito.

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10 de novembro de 2009

Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway


Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway(1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: John Burns and Genesis
Formação Principal no Disco: Tony Banks – Phil Collins – Peter Gabriel – Steve Hackett – Mike Rutherford
Estilo: Rock Progressivo
Relacionados: Pink Floyd/Jethro Tull/Yes
Destaque: Carpet Crawlers
Melhor Posição na Billboard: 41o

Opinião do leitor:
The Lamb Lies Down on Broadway é a mais bela excrescência do rock progressivo, um álbum conceitual por excelência e a última colaboração de Peter Gabriel com a banda — Phil Collins iria assumir os vocais a partir de A Trick of the Tail, de 1976. Peter teve que se ausentar da pré-produção do que viria a ser o disco, já que sua esposa, Jill, estava tendo problemas com a gravidez de Anna, sua primeira filha. Ao mesmo tempo, ele mesmo já estava tensionando em deixar o Genesis, à medida em que se afastava do grupo e se interessava cada vez mais em projetos paralelos, como o cinema, por exemplo. Mesmo asim, Gabriel quis levar o objetivo de trabalhar no próximo trabalho do Genesis até o fim: inclusive, resolveu impôr a idéia de utilizar um texto seu, que narrava a aventura de um chicano que tinha que salvar seu irmão das garras de criaturas surreais numa Nova Iorque mágica. os demais — Hackett, Mike Rutherford, Banks, Collins, queria fazer uma adaptação do clássico de Antoine de Saint-exupery, o Pequeno Príncipe. Por fim, prevaleceu a concepção de Peter. Boa parte de The Lamb Lies Down on Broadway acabou se tornando uma espécie de paráfrase do texto do vocalista. O álbum foi bem recebido pela crítica, chagando ao décimo lugar nas paradas britânicas e rendeu uma extensa turnê que acabou em agosto de 1975, quando Peter finalmente revelou suas intenções em seguir uma carreira-solo.

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9 de novembro de 2009

Bad Company - Bad Company


Bad Company - Bad Company(1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: Bad Company
Formação Principal no Disco: Paul Rodgers – Mick Ralphs - Simon Kirke – Boz Burrell
Estilo: Hard Rock
Relacionados: Free/Mott the Hoople/Led Zeppelin
Destaque: The Way I Choose
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Com a saída do baixista Andy Fraser, em 1973, o Free perdia um dos seus principais compositores. Somado aos problemas de drogas de Paul Kossoff, Paul Rodgers sentiu que a banda estava com os dias contados. Contudo, se ele estava a fim de acabar com o projeto, ao mesmo tempo, Paul queria manter acesa a chama do hard rock que notabilizou a banda. Para tanto, achou outra pedra rolante, o(excelente)guitarista Mick Ralphs, do Mott The Hoople. Acontece que Mick não estava gostando do estilo de liderança imposta pelo líder do Mott, Ian Hunter, e ele sentia que agora teria mais futuro com o pessoal do Free que, via de regra, era de outra estirpe: rivalizava com outro cachorro grande, o Led Zeppelin de Page e Plant. Com a dupla formada, Simon Kirke voltou a colaborar como antigo colega. Faltava só alguem para empunhar o baixo, e esse alguém seria outro egresso de outra super banda (o King Crimson), Boz Burrell. Juntos, ele formariam um dos — se não o — maiores supergrupos dos anos 70, o Bad Company. Não bastasse a relação entre o Free e o Led Zeppelin, o empresário dos últimos, Peter Grant, decidiu adotar a nova banda de Rodgers para um disco. Como é notável em qualquer banda cujos integrantes sejam músicos experimentados e acima da média, a química e a eneriga podia ser medida apenas um olhar de soslaio entre um e outro. O álbum (homônimo) de estréia, gravado de forma orgiástica e empiricamente artesanal no Ronnie Lane's Mobile Studio, do baixista do Faces, é lapidar: passar por todas as tendências do rock e suas possibilidades possíveis, baladas soul, rock, blues, country-folk. O disco foi puxado por uma super boogie que Mick Ralphs havia composto ainda no tempo do Mott, Can't Get Enough, e que ele sabia que tinha pinta de sucesso. O irônico é que Ian Hunter não quis que o Hopple a gravasse, achando que ela não se encaixava no estilo (esse seria um dos motivos do desligamento de Ralphs). Além de Clássica na primeira audição, Can't Get Enough chegou ao quinto lugar nas paradas e, junto com Movin' On, alavancou o álbum para o topo das paradas, em 1974 — consolidando de largada o Bad Company. Intérprete marcante e versátil, Paul Rodgers seria o cara perfeito para o tipo de som que o BC produzia pelos cotovelos: Rocksteady, a baladona Ready For Love, o smooth-folk Seagull (que revelava uma nova parceria, Rodgers e Ralphs) e o memorável soul The Way I Choose. Bad Company é mágico: simples, direto e excelente do princípio ao fim e de quebra, um dos melhors discos de estréia (com mais de 5 milhões de cópias vendidas) de uma banda — na história do rock.

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8 de novembro de 2009

Brian Eno - Here Come the Warm Jets


Brian Eno - Here Come the Warm Jets(1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: Brian Eno
Formação Principal no Disco: Brian Eno - Chris Spedding - Bill MacCormick - Robert Fripp - Paul Rudolph - Andy Mackay - Paul Thompson - Lloyd Watson
Estilo: Art Rock
Relacionados: Roxy Music/Nick Kool & the Koolaids/Hawkwind
Destaque: Baby's on Fire
Melhor Posição na Billboard: 26o
Opinião do leitor:
Here Come the Warm Jets, o primeiro álbum solo de Brian Eno, poderia ser definido como quase um disco do Roxy Music sem a "intromissão" criativamente fundamental de Bryan Ferry. No entanto, e justamente por conta disso, ele vai um pouco mais além. Partindo da idéia de fazer um disco menos glam e mais experimental, Eno recrutou uma estirpe de músicos criativos e tão ecléticos quanto ele, que ia de Robert Fripp (do King Crimson) integrantes do próprio Roxy Music, Hawkwind e do The Pink Fairies, Simon King (do Hawkwind), entre outros. A proposta primordial de Brian era a de que todos os músicos concebessem a parte e o todo como algo dançante, para que o resultado fosse uma espécie de apoteose do ritmo. A despeito disso (e justamente por conta disso), Here Come the Warm Jets não é hermético — apenas esencialmente pretencioso. Canções como Baby's On Fire são surpreendentemente sofisticadas e dançantes ao mesmo tempo; Cindy Tells Me soa um amálgama de retrô e vanguardista ao mesmo tempo. Já Here Come the Warm Jets e On Some Faraway Beach, bem ao estilo de Eno, são mais experimentais. A despeito de seu perfil arrojado e sofisticado, o álbum se saiu bem nas paradas, ficando duas semanas no vigésimo sexto lugar nas paradas americanas. Brian Eno chegou a ensaiar uma turnê internacional na esteira do sucesso do disco mas, devido a problemas pulmonares, teve que abdicar do projeto em cima da hora.



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7 de novembro de 2009

New York Dolls - New York Dolls


New York Dolls - New York Dolls(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Todd Rundgren
Formação Principal no Disco: David Johansen – Sylvain Sylvain – Arthur Kane - Jerry Nolan - Johnny Thunders - Todd Rundgren
Estilo: Punk, Rock
Relacionados: MC5/The Stooges/Tom Verlaine
Destaque: Pills
Melhor Posição na Billboard: 116o

Opinião do leitor:
O visual era ligeiramente chocante — aliás, não havia outra forma de dar o recado. Porém, o som era inconfundível: o velho rock'n roll. Diante do perfeccionismo do progressivo e do rococó pós-moderno do glam, coube às bandas precursoras do que seria chamado, alguns anos mais tarde, de punk, simplificar o rock de volta às suas origens — do-ups, blues, R&B e tudo o que caiu na geléia geral do pop naqueles últimos vinte anos — de forma simples, direta e essencialmente transgressora. E a síntese disso atendia pelo nome de New York Dolls. A banda de David Johansen, nascida no coração do Bronx, poderia ser visualmente cognata à maioria dos conjuntos glam que assomavam as paradas de sucesso naquele ano de 1973; contudo, o álbum de estréia do quinteto norte-americano era um mash-up de rock esfuziante em todas as suas tendências. Bad Girl ou Pills (cover do Bo Diddley), por exemplo, não devia nada aos Rolling Stones. O refrão de Trash, lembrava vagamente os The Diamonds. A irresistível Subway Train, por sua vez, ia influenciar de forma considerável o new wave dos anos 80, e isso que estamos falando de 1973! Aliás, por conta disso, os New York Dolls, como não podeia deixar de ser, iriam também — assim como os Stooges — pagar o preço de seu pioneirismo: seu Lp de estéia não vendeu quase nada e o seu som foi comparado a uma orquestra de cortadores de grama(!). Azar. "eles" não perdiam por esperar...

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3 de novembro de 2009

The Isley Brothers - 3+3


The Isley Brothers - 3+3(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Ronald Isley, Rudolph Isley
Formação Principal no Disco: Ronald Isley - Rudolph Isley - O'Kelly Isley, Jr - Ernie Isley - Marvin Isley - Chris Jasper - George Moreland - Truman Thomas
Estilo: Funk, Soul
Relacionados: Temptations/Marvin Gaye/Al Green
Destaque: That Lady
Melhor Posição na Billboard: 8o

Opinião do leitor:
Os Isley Brothers consolidaram a sua imagem como um trio cuja música foi proeminente nos anos 60, com canções marcantes como Twist And Shout e This Old Heart of Mine (Is Weak for You), que foi o auge do sucesso do grupo já na Motown. Depois de uma exitosa turnê pela Inglaterra, de 1968, onde eles sempre gozaram de enorme popularidade, os Isley dediciram sair do selo de Braford Gordy e mudar o seu som. assinaram com a alternativa Buddah Records e, como um quarteto, com a adição de Ernie Isley (já bastante influenciado por Hendrix àquela época) na guitarra, conseguiram um milhão de cópias com a clássica e irresistível (e genial) It's Your Thing que, antes dos 70, já apontava para a tendência ao funk que iria se tornar coqueluche. Nos anos 70, eles mudariam novamente a formação, se tornando um sexteto, com a entrada de Marvin e Chris Jasper, assinariam com a Epic e, de quebra,ingressariam na nova era da soul music, junto com Gaye, Tamptations & Wonder. 3+3, que é o resumo desses anos musicais, com farto uso de sintetizadores a la Steve Wonder (que, junto com eles, estava gravando innervisions no Plant Studios, e naturalmente que a troca de figurinhas seria inevitável), uma percussão mais trabalhada, backings mais elaborados e seções instrumentais, como o memorável solo de Ernie em That Lady, que transformou a canção numa mini-suíte e que, além disso, puxou o disco para o oitavo lugar na Billboard, fazendo o crossover entre o pop branco e o soul dos Isley Brothers — principalmente pelo sucesso do cover de Summer Breeze, do duo texano Seals and Crofts, de 1972.

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1 de novembro de 2009

Stooges - Raw Power


Stooges - Raw Power(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: David Bowie
Formação Principal no Disco: Iggy Pop - James Williamson - Ron Asheton - Scott Asheton
Estilo: Rock, Proto-punk
Relacionados: David Bowie/MC5/New York Dolls
Destaque: Penetration
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Os pretensos detratores de David Bowie podem acusá-lo de toda a sorte de coisas, exceto o fato de Ziggy não ser um bom samaritano. Depois dele dar uma cara tenência aos desgarrados do Mott the Hoople, ele não apenas salvou os stooges da "ostracismo records" quanto foi responsável pelo lançamento do antológico evangelho do punk rock, Raw Power. Bowie travou conhecimento com Iggy Pop que, aquela altura, dado o seu vício em colheres e agulhas, estava mais para uma pedra rolante do que para um band-leader e o convidou — junto com James Williamson — para gravar um disco na Inglaterra. A idéia inicial era fazer uma formação de Iggy com músicos de estúdio; contudo, ao não encontrar ninguém que entendesse suas idéias, Pop resolveu trazer para o seu exílio britânico os irmãos Ron e Scott Asheton. Logo, os Stooges estavam de volta. O genial em Raw Power é que, com o tempo passado desde o lançamento de Fun House, no longínquo ano de 1970, a banda pôde repensar o som dos Stooges para um terceiro disco. Ao invés de enxertar uma produção incompleta (caso do primeiro disco) ou simplesmente transpor a música do quarteto do palco para o estúdio, sem qualquer pré-produção ou mixagem posterior (como no caso de Fun House), com a ajuda de Bowie, eles decidiram fazer algo bem mais consistente, pretensioso e bem acabado. Raw Power é uma obra-prima do começo ao fim. Na época, só não viu quem quis. Até porque, num emaranhado de progressivo, glam, space rock e outras tendências, muita água ia rolar até que o paradigma que Iggy Pop pregava no deserto iria se transformar em realidade musical. Como aconteceu com os álbuns anteriores, Raw Power não obteve os louros da vitória em seu tempo — tempo esse que cuidou de, algum tempo depois, transformar os Stooges em pioneiros. Ou como diria Ezra Pound, em inventores: os inventores do punk.

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31 de outubro de 2009

Alice Cooper - Billion Dollar Babies


Alice Cooper - Billion Dollar Babies(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bob Ezrin
Formação Principal no Disco: Alice Cooper - Glen Buxton - Michael Bruce - Dennis Dunaway - Neal Smith - Donovan - Steve "Deacon" Hunter - Mick Mashbir - Dick Wagner - Bob Dolin - David Libert
Estilo: Hard rock
Relacionados: T.Rex/Todd Rundgren/Glen Buxton
Destaque: I Love The Dead
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Alice Cooper, assim como muitos outros grandes artistas do jet-set, seriam o tipo de sujeitos cuja personalidade se eclipsaria debaixo do próprio folclore, se naturalmente não tivesem o honesto respaldo do seu irretocável talento. É claro que, com o tempo e sem estímulo do própria arte, é possível que o primeiro vingaria em detrimento do segundo — e exemplos não faltam. Contudo, é fantástico perceber que Cooper, a despeito de ter sido obrigado a chamar a atenção do grande público fazendo uso do exótico e do excêntrico, pudesse sere capaz de suplantar qualquer um dos seus possíveis detratores com uma obra-prima incontestável que é Billion Dollar Babies. Para tanto, basta esquecer rótulos como shock rock & galinhas voadoras (?) e se concentre na música. Billion Dollar Babies é o ápice criativo da banda que, além da qualidade e excêlencia da produção musical, com momentos inesquecíveis, como Elected (cujo riff lembra vagamente Dolly Dagger, do Jimi Hendrix), No More Mr. Nice Guy, a pop Raped And Freezin' e a faixa que dá nome ao álbum, manteve o mesmo índice de popularidade e sucesso de crítica e público de School's Out e chegou ao primeiro lugar das paradas. Mas o notável em Billion Dollar Babies é ver que não existe praticamente nada de efêmero ou pretensamente comercial a ponto de colocar o disco na posição de destaque que ele conquistou: Alice Cooper conseguiu isso com a própria música. Alice Cooper alcançar o topo, o zênite. E, do topo, o próximo capítulo só poderia ser lomba abaixo — e Cooper quase conseguiu isso. Em Welcome to My Nightmare, nada mais seria como antes.

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30 de outubro de 2009

The Sensational Alex Harvey Band - Next


The Sensational Alex Harvey Band - Next(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: The Sensational Alex Harvey Band, Phil Wainman
Formação Principal no Disco: Alex Harvey - Zal Cleminson - Chris Glen - Hugh McKenna - Ted McKenna
Estilo: Glam Rock
Relacionados: Slayer/T.Rex
Destaque: Gang Bang
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Músico eclético, o escocês Alex Harvey é um caso único dentro do próprio subgênero do glam. Muito antes do auge do movimento, no começo dos anos 70, ele já tinha uma sólida e consolidada carreira tanto como intérprete solo quannto como crooner de uma banda de soul. A mudança viria em 72, quando Harvey coheceu Zal Cleminson, Ted McKenna e Chris Glen, que eram músicos de uma banda de progressivo, chamada Tear Gas. Juntando forças, o background de Alex somado ao rock experimental do Tear, eles azeitaram a máquina que seria a despretenciosa The Sensational Alex Harvey Band. Peculiar como tinha de ser, em Next, o terceiro álbum, o quinteto flana dentro do espírito glam, mas a distância deles dos seus coirmãos — Bolan, Bowie, e outros — é peculiar. em alguns momentos, como Gang Bang, ele namora o glam com todas as forças; em The Faith Healer, a banda vai para as prais do hard rock puro. Swampsnake tem alguma influência zappeana, que era um dos ídolos de Harvey. The Last of the Teenage Idols é um blues viajandão de sete minutos e Vambo Marble Eye, a melhor do disco, é um amálgama de The Who com Bo Diddley, porém com os dois pés no glam — e com um vocal memorável. O SAHB existe até hoje e têm milhoes de fãs, mas a fase áurea foi a que o próprio Harvey levantou estádios e gravou os históricos primeiros álbuns do quinteto, entre 73 e 76.

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29 de outubro de 2009

Paul McCartney & Wings - Band On The Run


Paul McCartney & Wings - Band On The Run(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Paul McCartney e Geoff Emerick
Formação Principal no Disco: Paul McCartney - Linda McCartney - Denny Laine
Estilo: Rock
Relacionados: Big Star/John Lennon/Todd Rundgren
Destaque: Mrs. Vanderbilt
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Em 1973, o Wings vivia um enorme sucesso de público: o disco anterior, Red Rose Speedway ainda estava nas paradas, principalmente por causa do single My Love. Além disso, Paul era o intérprete do filme Live And Let Die, do James Bond. Para a produção seguinte, o ex-beatle quis inovar. Descontente com o espaço que havia na Inglaterra em matéria de estúdios de gravação, ele solicitou à EMI para que eles lhe dessem uma lista de outros que estivessem à disposção, ao redor do mundo. McCartney fincou o dedo no mapa exatamente no extremo noroeste da África. O wings ia fazer o próximo álbum na subsidiária do selo britânico em Lagos, na Nigéria. Tudo foi planejado, exceto com relação às defecções de Henry McCullough e Denny Seiwell que, em cima do laço, pegaram o boné e desambarcaram da banda. Sem alternativa, os McCartneys pegaram Laine, mais Geoff Emerick, engenheiro de som que colaborava com Paul desde o começo dos Beatles e, em outubro, pegou o primeiro avião para a África. Em Lagos, Paul conduziu a base do disco, que seria completado em Londres, com a adição de orquestra e demais overdubs, ainda no mês seguinte. Band On The Run,o terceiro álbum do Wings (e quinto de Paul solo) seria lançado em dezembro, com grande estardalhaço. Puxado pela faixa-título, um pop progressivo, e principalmente Jet, chegaram ao topo das paradas no começo de 1974. Sobre o tema de Band On The Run Paul disse: "havia um monte de gente que estava sendo acossada pela Justiça — os Byrds, Eagles. Nós mesmos fomos pegos por posse de erva. Isso nos transformou em foras-da-lei. Nosso argumento com esse título é dizer: não nos coloque do lado errado; nós não somos criminosos". Na capa, ele aparece fugindo da prisão junto com outras celebridades, tais como Christopher Lee (que curiosamente seria o próximo vilão de 007), James Coburn e Kenny Lynch. Picasso's Last Words (Drink to Me), por sua vez, é uma peça folk vaudeville que faz uma espécie de brincadeira ao relembrar trechos de canções do disco, como leitmotives. McCartney diz que a idéia veio de Dustin Hoffmann, que lhe mostrou as "últimas palavras" do pintor andaluz impressas num semanário, e perguntou se ele conseguiria fazer uma canção sobre "qualquer coisa". Paul aceitou o desafio e a compôs, numa progressão fulminante, e tocou para o perplexo ator. Let Me Roll It, que seria um dos grandes momentos da Paul ao vivo, foi ligeiramente de ser um pastiche de John Lennon, acusação que ele refutou — muito embora o aranjo de piano, o contraste entre a primeira parte e o estrebilho, o reverber (típico das produções Lennon/Spector) e o sutil uso do piano o entregasse de bandeja. "Poderia ser mais uma canção dos Beatles", diz. "nós certamente a faríamos desta forma". Porém, se existe algo de cognato com o som do quarteto de Liverpool, duas canções são um tanto peculiares: uma é lírica e poética Bluebird, que poderia estar no White Album. A outra, Mrs. Vanderbilt, é a melhor canção dos Fab Four que eles nunca gravaram juntos.

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28 de outubro de 2009

ZZ Top - Tres Hombres


ZZ Top - Tres Hombres(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bill Ham
Formação Principal no Disco: Billy Gibbons - Dusty Hill - Frank Beard
Estilo: Blues
Relacionados: Freddie King/The Moving Sidewalks/13th Floor Elevators
Destaque: La Grange
Melhor Posição na Billboard: 8o

Opinião do leitor:
O Texas é a terra do Alamo, de Roy Orbison, de Hank Thompson, Ray Price, Johnny Winter, da Janis, do Buddy Holly e também é a terra do ZZ Top. Formada em 1969, ou seja, o trio é provavelmente a banda dos anos 60 mais antiga, senão a única, a manter a formação original e estar ainda na ativa. Começou tocando no sul do antigo estado confederado até conseguir abrir show para os Rolling Stones no Havaí — principalmente pelo fato de ambos pertencerem a mesma gravadora, a Decca/London. Assim como no caso do quinteto britânico, o ZZ Top fazia basicamente um blues melódico (fato que naturalmente chamou a atenção de Mick e Keith), impecável, honesto, eficiente e bem menos complexo do que o dos Allman Brothers, por exemplo. Pode se dizer que, por conta de tal virtude, o trio não tinha pretensões de bancarem os desbravadores de um novo subgênero do blues ou de serem arquitetos de uma revolução musical. Pelo contrário, a fácil comunicação com o público sempre caracterizou a banda de Billy Gibbons. Contudo, foi o terceiro disco deles, Tres Hombres, que marcou um momento crucial na carreira deles. Depois de naufragarem no fundo da lista da Billboard com os dois primeiros álbuns — ZZ Top's First Album e Rio Grande Mud , seu terceiro trabalho foi o começo do sucesso. Canções como Hot, Blue, And Righteous e, principalmente, La Grange. Lançada em single, esse blues de "um acorde só" foi responsável pelo aliciamento massivo de um gigantesco número de fãs do ZZ Top que, sem muita dificuldade e com um pouco de sorte, levou apenas uns quatro anos para fazer sucesso da noite para o dia; sucesso esse, que dura exatos quarenta anos.

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27 de outubro de 2009

Stevie Wonder - Innervisions


Stevie Wonder - Innervisions(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Stevie Wonder, Robert Margouleff e Malcolm Cecil
Formação Principal no Disco: Stevie Wonder - Malcolm Cecil - Dean Parks - David "T" Walker - Clarence Bell - Ralph Hammer - Larry "Nastyee" Latimer - Scott Edwards
Estilo: Funk/Soul
Relacionados: Sly Stone/Marvin Gaye/Curtis Mayfield
Destaque: Living In The City
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
A Motown criou um estilo musical pelos anos 60 afora que foi a sua marca registrada. Porém, por conta do seu indelével sucesso no mercado, foi muito difícil para que o selo abdicasse de seu cânone em favor de experiências musicais de seus intérpretes: a resistência de seus executivos foi enorme — principalmente nos anos 70, quando alguns dos seus principais nomes decidiram ter total controle musical nas suas produções. Assim foi com Marvin Gaye. Ele bateu pé, e levou. O corolário, todos conhecem; a despeito de todos os riscos em matéria de sucesso, ele levou os louros da vitória, mas é natural que a revolução aconteceu porque Gaye tinha peso e visibilidade. Em resumo, ele abriu o caminho. E se foi assim com Marvin, não seria diferente com Stevie Wonder. De um lado, além de canções românticas, ambos passaram a compor letras de temática social. Por outro, do ponto de vista instrumental, Wonder se mostrou um músico de gosto e sensibilidade ímpar, desde o disco Music Of My Mind, onde ele se tornou um desbravador no estúdio de gravação, trabalhando com lavor de joalheiro nos arranjos de suas músicas, principalmente ao que concerne à seção dos teclados. Pois um dos grandes momentos daquele que é chamado o período clássico de Steve, o álbum que melhor sintetiza essa filosofia musical é Innervisions. Para começar, a instrumentação essencialmente calcada nos teclados, tocados todos por ele m