
Jorge Ben - África Brasil (1976)
Origem: Brasil
Produtor: Jorge Ben
Formação Principal no Disco: Jorge Ben - Djalma Correa - Wilson das Neves - Ze Roberto Bertrami - Zé Bigorna
Estilo: MPB
Relacionados: Wilson Simonal/Tim Maia/Gilberto Gil/Copa Cinco
Destaque: Meus Filhos, Meu Tesouro
Melhor Posição na Billboard:Não encontrado
Opinião do leitor:
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Por incrível que possa pareçer, há quem se ressinta do Jorge Ben que deu adeus ao samba esquema novo de sua fase híbrido-bossa-novista, do começo dos anos 60, para entrar num universo de sincretismo musical sem precedentes, a partir dos anos 70. A questão é que o compositor de Fio Maravilha, assim como seu amigo Wilson Simonal, antes de ir parar no Beco das Garrafas para cantar baixinho como João Gilberto, era um sambista que, em razão daquele contexto musical, precisou domesticar a batida. Mas o seu atavismo etíope — do lado parental — e o seu éthos suburbano de jogo de bola em Madureira corria forte em seu sangue carioca. Par entrar na capela da Música Popular Brasileira dos anos 60, era mister que ele se enquadrasse no bom-tom que o cânone dos palcos e festivais exigiam. Pegar numa guitarra elétrica, então, seria assinar o seu degredo como intérprete. No fim, Ben acabou literalmente dançando conforme a música. Contudo, foi justamente num momento em que os espíritos conservadores do ambiente de festival arrefeceu, o rock entronizou a estética conceitual e o samba soul e o funk eclodiram, na década seguinte, que Jorge pôde, enfim, voar. Essa, com efeito, a sua fase mais criativa e autêntica, culminou numa série de discos que, embora não tenham vendido bem, compreenderiam a fase de ouro de sua careira: A Tábua de Esmeralda, de 1974, Solta o Pavão e a parceria com Gilberto Gil, em 1975 e, finalmente, aquele que é considerado a sua obra-prima, África Brasil. Clássico definitivo da música brasileira do século 20, África Brasil é um amálgama de soul, funk, samba, numa fase em que Ben troca o seu violão gauche pela guitarra, criando, em pouco mais de 40 minutos, um gênero musical particularíssimo. Alguns críticos observam que Africa Brasil é um painel onde aflora o lado cronista do compositor carioca. O disco enfeixa perfis distintos, que vão de Zico até Hermes Trismegisto, o imperador mongol Shah Jahan, a primeira-dama negra Xica da Silva e Zumbi. Chamar África Brasil de conceitual, de certa forma, seria cair no terreno da especulação — muito embora não se devesse subestimar alguém como Jorge Ben. Porém, como é notório em sua lírica, a comunicação fácil com o ouvinte e linguagem simples, positiva e despojada. Ou, como Ben diz em O Filósofo — de forma adoravelmente simplória, "mostrando como o belo pode ser simples e o simples pode ser belo". e, quando deveria ser sofisticado em matéria de harmonia, o lado atávico aflora em sua música: Jorge simpelsmente emoldurado por uma percussão de escol, apenas eletrifica o que ele sempre fez ao violão, ou seja, se basear numa célula rítmica, usando a guitarra como percussão, tocando o instrumento de uma forma pessoal e intransferível. Exemplos são Hermes Trismegisto Escreveu e Ponta de Lança Africano, onde a guitarra é puro ritmo. Porém, mas canções mais conhecidas de África Brasil são, sem dúvida, Xica da Silva, trilha do filme homônimo, de Cacá Diegues (de 1976) e Taj Mahal (que já havia sido lançada no disco com Gil, no ano anterior e em Ben, em 72). Número constante nas apresentações do compositor, desde então, ela chegou a ser descaradamente plagiada por Rod Stewart em Da Ya Think I´m Sexy?
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